Bradesco Seguros coloca a educação na apólice da previdência
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A Bradesco Vida e Previdência está lançando um seguro educacional individual para garantir a continuidade dos estudos de dependentes em caso de morte, invalidez ou perda de renda. O produto, que está sendo testado em junho e lançado em julho, visa um mercado pouco explorado no Brasil, onde a maioria das opções de seguro educacional é coletiva.
A contratação será baseada na mensalidade e no ciclo educacional desejado, com coberturas ajustáveis anualmente. A empresa estima um mercado potencial de 9 milhões de alunos em escolas particulares. Além das coberturas tradicionais, o seguro incluirá proteção para desemprego involuntário e incapacidade temporária.
Essa iniciativa faz parte de uma estratégia mais ampla de expansão no segmento de Vida, que inclui a personalização de produtos e o crescimento em pequenas e médias empresas, onde a Bradesco Vida e Previdência já registrou um aumento significativo em faturamento.
* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed
A Bradesco Vida e Previdência vai lançar um seguro educacional individual, voltado a pais e responsáveis que querem garantir a continuidade dos estudos de filhos ou outros dependentes em caso de morte, invalidez, perda de renda ou incapacidade temporária. Esse é mais um passo na expansão do portfólio do segmento Vida, que teve crescimento de 9% nos últimos 12 meses.
Primeiro produto individual do tipo no mercado, o seguro educacional mira uma lacuna ainda pouco explorada no Brasil. Hoje, as soluções disponíveis são majoritariamente coletivas e dependem da oferta das escolas. Se a instituição não disponibiliza o produto, a família fica sem uma alternativa de contratação direta.
“Quando eu mudei meus filhos de escola, a primeira coisa que fui ver foi se havia seguro educacional. Era uma baita escola, com mensalidade representativa, e eles não sabiam nem do que se tratava”, diz Bernardo Ferreira Castello, diretor-presidente da Bradesco Vida e Previdência. “Foi aí que a gente viu uma oportunidade.”
O produto começa a ser testado ainda em junho, em um piloto com cerca de 70 corretores selecionados pela companhia. A previsão é fazer o lançamento no início de julho, no começo do período de rematrículas escolares.
Na prática, a contratação será feita a partir da mensalidade e do ciclo educacional que o responsável deseja proteger. Em vez de definir uma cobertura genérica, como em um seguro de vida tradicional, o cliente informa a idade do estudante, a etapa de ensino e o valor da mensalidade.
A cobertura poderá ser ajustada anualmente, acompanhando reajustes escolares, mudança de escola ou avanço para etapas mais caras da educação. O seguro valerá para diferentes tipos de ensino privado, da educação infantil ao ensino médio, além de graduação, pós-graduação e cursos de idiomas.
A companhia mira um mercado potencial de cerca de 9 milhões de alunos em escolas particulares e outros modelos de educação formal privada. Esse público pode ter um ou mais responsáveis financeiros vinculados ao seguro.
Além das coberturas de morte e invalidez, o produto também terá proteção para perda de renda. Para trabalhadores CLT, a cobertura será voltada ao desemprego involuntário. Para autônomos, a proteção será adaptada à incapacidade física temporária.
“O risco que estamos cobrindo não é só a morte ou a invalidez. É a interrupção da capacidade daquela família de continuar pagando a escola”, diz Castello. “Por isso, o produto precisa conversar tanto com o CLT quanto com o autônomo.”
Estratégia de expansão
O seguro educacional é mais uma peça de uma estratégia que a Bradesco Vida e Previdência vem montando nos últimos três anos para crescer em Vida. O movimento passa pela revisão da prateleira de produtos, com menos ofertas genéricas e mais soluções flexíveis, capazes de serem personalizadas para diferentes perfis de clientes — de pessoas físicas a pequenas e médias empresas.
“Crescer nos carro-chefes não é suficiente”, diz Castello. “A gente procurou reduzir a quantidade de produto e ter produtos mais flexíveis que possam ser personalizados ao custo de cada cliente.”
A primeira onda dessa estratégia veio nos produtos individuais, especialmente os voltados a planejamento sucessório. Depois, a companhia avançou nos produtos empresariais, coletivos e para pessoas jurídicas. Agora, começa a trabalhar o que o executivo chama de produtos de nicho, como seguro viagem e seguro educacional.
No seguro de vida individual, a companhia passou a organizar a oferta em torno de poucos produtos, mas com maior capacidade de combinação de coberturas e assistências. No material enviado pela empresa, Castello cita produtos com mais de 20 coberturas e mais de 20 assistências, além de soluções voltadas a planejamento sucessório e opções com programas de resgate.
Na frente empresarial, o avanço mais forte veio das pequenas e médias empresas. Em três anos, a Bradesco Vida e Previdência saiu praticamente do zero nessa carteira e chegou a cerca de R$ 600 milhões em prêmios no ano passado. Sozinho, o segmento PME já representa 5% da receita da companhia em seguro de pessoas.
A família Empresarial Flexível é a plataforma usada pela companhia para atacar esse público. Dentro dela estão produtos como o Capital Global, com coberturas personalizáveis; o Pessoa Chave, voltado à proteção de sócios e diretores; soluções específicas para MEIs; produtos resgatáveis; e, mais recentemente, o Empresarial Flexível Coletivo Bradesco, para PMEs de três a 500 vidas.
Os números mostram a tração dessa frente. A família Empresarial Flexível cresceu 272% em faturamento em 2025, saindo de R$ 157,2 milhões em 2024 para mais de R$ 585 milhões. O Capital Global avançou 82% em volume de prêmios e 70% na base de clientes. Já o Pessoa Chave cresceu 380% em faturamento e 468% na base de clientes.
A tração em Vida acontece em um momento em que a previdência privada passa por maior instabilidade, em especial depois das mudanças envolvendo o IOF dos planos VGBL. Nos últimos 12 meses, a vertical de previdência da Bradesco Vida e Previdência registrou retração de 25% em arrecadação. No mesmo período, o segmento de Vida cresceu 9%.
A companhia fechou 2025 com faturamento de R$ 50 bilhões, sendo R$ 36 bilhões em previdência e R$ 14 bilhões em seguros de pessoas. Embora a previdência ainda represente a maior parte do negócio, os seguros de vida vêm ganhando espaço na estratégia de diversificação também de canais de venda.
Há cerca de três anos, o Grupo Bradesco Seguros passou por uma reformulação comercial estratégica. Com esse movimento, a Bradesco Vida e Previdência triplicou sua base de corretores de seguros que comercializam produtos de seguros de pessoas e previdência privada. Apenas nos últimos 12 meses, houve aumento de 15% nas vendas via corretores de seguros de mercado.
O modelo de bancassurance segue como base relevante da operação, com corretores especialistas dentro do banco. Mas a companhia passou a buscar fontes complementares de receita em corretores de mercado, parceiros de negócios, escritórios de investimento, planejadores financeiros e canais de afinidade.
Segundo Castello, os canais fora do Bradesco já respondem por cerca de 7% da receita de previdência e 7,2% da receita de Vida. Há três anos, essa participação era praticamente zero.
A diversificação, porém, não se limita à distribuição. Na avaliação da companhia, a expansão em Vida passa também por ocupar novas frentes de planejamento financeiro, em temas como longevidade, planejamento familiar, sucessão patrimonial e personalização de produtos.
“A expectativa é consolidar um ciclo sustentável de crescimento, apoiado na ampliação do portfólio, no fortalecimento da oferta de soluções mais aderentes às necessidades dos clientes e na evolução da cultura de proteção financeira no país”, diz Castello.