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Na “caixa preta” da Venezuela, uma dívida de US$ 240 bilhões e a maior reestruturação da história

Por Redação 24 de junho de 2026 6 min de leitura


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A Venezuela está prestes a revelar uma dívida total de US$ 240 bilhões, superando as estimativas de US$ 150 bilhões a US$ 200 bilhões e configurando a maior reestruturação soberana da história, ultrapassando a da Grécia em 2012.

A reestruturação é complexa devido à variedade de dívidas e ao longo período de inadimplência. Os títulos do governo e da PDVSA representam a maior parte da dívida, com cerca de US$ 60 bilhões, além de US$ 40 bilhões em juros.

A Venezuela também deve entre US$ 30 bilhões e US$ 50 bilhões a empresas petrolíferas, mais de US$ 20 bilhões em indenizações judiciais, e tem dívidas com a China, a Rússia e bancos de desenvolvimento.

A presidente interina Delcy Rodríguez planeja um acordo com credores até 2026, com o apoio do Centerview Partners. A análise de sustentabilidade da dívida não foi feita pelo FMI, o que gera preocupações sobre a posição de negociação da Venezuela.

Em meio a essas movimentação, o Banco Central do país divulgou um aumento nas vendas de petróleo, mas ainda bem abaixo dos níveis anteriores à reestruturação.

* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed

Em processo de reconstrução após a deposição do presidente Nicolás Maduro, a partir de uma intervenção dos Estados Unidos em janeiro deste ano, a Venezuela está prestes a abrir a caixa preta da sua dívida. E o que será revelado promete superar as piores expectativas do mercado.

O país deve divulgar uma dívida total de US$ 240 bilhões nas próximas semanas, acima das estimativas do mercado, que apontavam para uma faixa entre US$ 150 bilhões e US$ 200 bilhões, segundo o Financial Times, que cita fontes familiarizadas com o tema.

Caso se confirme, esse montante configuraria a maior reestruturação soberana da história. Até o momento, esse “título” nada desejável pertence à Grécia, que reestruturou cerca de US$ 200 bilhões em 2012, durante crise da zona do euro.

Mesmo antes de caminhar para o topo desse ranking, a reestruturação da Venezuela já era considerada mais complexa do que qualquer processo anterior, em virtude da variedade de dívidas que o país contraiu e o longo período que deixou de pagar seus credores.

Dentro desse pacote, os títulos do governo e da PDVSA, a estatal petrolífera venezuelana, respondem pela maior parcela, de cerca de US$ 60 bilhões, além de aproximadamente US$ 40 bilhões em juros pós-inadimplência. Esse valor cresce a uma taxa anual de US$ 5 bilhões.

De acordo com estimativas, a Venezuela também deve entre US$ 30 bilhões e US$ 50 bilhões a empresas petrolíferas e credores por faturas não pagas, além de mais de US$ 20 bilhões em indenizações judiciais concedidas a empresas após o regime de Hugo Chávez ter expropriado suas propriedades.

A conta dessas projeções inclui ainda uma cifra entre US$ 10 bilhões e US$ 20 bilhões de débitos com a China, a partir de dívidas cujos pagamentos com exportações, a princípio, foram suspensos. Além de cerca de US$ 6 bilhões com a Rússia e US$ 4 bilhões com bancos de desenvolvimento.

Nesse cenário, Delcy Rodríguez, a presidente interina desde a deposição de Maduro, planeja chegar a um acordo com credores até o fim de 2026, o que abriria caminho para o retorno da Venezuela aos mercados internacionais, após quase uma década de isolamento.

Como parte desse processo, o governo local contratou o Centerview Partners como consultor financeiro. O banco de investimentos americano ajudou a elaborar um plano para restabelecer a sustentabilidade da dívida do país, que será publicado no início de julho, segundo o Financial Times.

Antes disso, o governo venezuelano irá publicar um relatório com o panorama macroeconômico, que vai estimar o tamanho da economia local em aproximadamente US$ 100 bilhões, bem abaixo dos US$ 370 bilhões de 2012, o último ano do governo de Chávez, elevando a relação dívida/PIB para mais de 200%.

Quem está à frente desse processo de reestruturação por parte do Centerview é Matthieu Pigasse, banqueiro francês que auxiliou a Grécia, a Argentina e outros país em grandes operações de reestruturação de dívida enquanto trabalhava no banco de investimentos americano Lazard.

Pigasse, que chegou ao Centerview em 2020, tem um histórico de laços estreitos com Caracas. O executivo já atuou consultor de venda da Citgo, antiga subsidiária da PDVSA nos Estados Unidos, e mantém uma relação próxima com Rodríguez há mais de uma década.

Recentemente, o Lazard enviou uma carta ao governo venezuelano com uma proposta para substituir o Centerview nesse processo e uma oferta de serviços no valor de cerca de US$ 25 milhões, que foi rejeitada.

Em paralelo, a Venezuela vem adotando alguns passos incomuns em uma reestruturação soberana desse porte. A análise de sustentabilidade da dívida, por exemplo, não foi elaborada pelo Fundo Monetário Internacional (FMI).

Como reflexo desses movimentos, há uma grande probabilidade de que os credores interpretem a avaliação precária das finanças do país como um sinal de que a Venezuela irá buscar uma redução expressiva no valor de suas dívidas.

Ao mesmo tempo, parte da oposição venezuelana teme que uma reestruturação acelerada fora dos círculos do FMI possa colocar o país em uma posição de negociação mais frágil com esses credores.

“É preciso que haja uma discussão orquestrada pelo FMI entre os credores e um perímetro de dívida adequado e auditado”, afirmou um investidor que se desfez recentemente de posições em títulos venezuelanos.

A Venezuela retornou suas relações comerciais com o FIM em abril, após sete anos de afastamento. E, segundo as fontes, houve discussões técnicas entre as duas partes sobre os dados econômicos do país e o projeto de reestruturação da dívida seguirá um modelo semelhante ao do fundo.

Enquanto o governo local busca alternativas, os credores estão atentos à rapidez com que o país conseguirá retomar a produção de petróleo e ao desempenho da restauração das vendas de petróleo bruto, intermediadas pelos Estados Unidos desde a saída de Maduro.

O Banco Central da Venezuela, que voltou a publicar regularmente alguns dados econômicos, divulgou esta semana informações sobre o balanço de pagamentos que mostraram vendas de exportação de petróleo no valor de US$ 5,5 bilhões nos primeiros três meses deste ano.

Esse montante representa um aumento em relação aos US$ 4,4 bilhões registrados nos últimos meses do governo Maduro, mas está muito aquém do auge anterior ao calote e às sanções americanas.



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Redação

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