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Com compra do St Marche, Cencosud estreia na “prateleira” dominada pelo GPA

Por Redação 24 de junho de 2026 7 min de leitura


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O grupo chileno Cencosud anunciou a aquisição da rede de supermercados premium St. Marche, marcando sua entrada no mercado de alta renda em São Paulo, tradicionalmente dominado pelo GPA.

A compra, que depende da aprovação do Cade e do plano de recuperação judicial da St. Marche, será financiada por recursos gerados de uma venda anterior de lojas Bretas. A St. Marche, que possui 32 lojas e um centro de distribuição, registrou R$ 1,07 bilhão em vendas nos últimos doze meses.

Especialistas destacam que a aquisição oferece ao Cencosud uma oportunidade de entrar em um segmento de maior valor agregado, embora a St. Marche enfrente desafios financeiros. O GPA, que também passa por reestruturação, pode enfrentar maior competitividade, mas não deve ser impactado imediatamente.

A Cencosud, que já teve dificuldades em operações premium no Brasil, agora busca fortalecer sua presença no setor.

* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed

Dono de bandeiras como Prezunic, GBarbosa e Giga no mercado brasileiro, o grupo chileno Cencosud movimentou o balcão de M&As do varejo alimentar do País ao anunciar a aquisição da rede St Marche nesta quarta-feira, 24 de junho.

Em comunicado, a empresa informou que firmou um acordo para adquirir 100% das operações da rede brasileira de supermercados premium sem dívidas e sem desembolso de caixa. E que a transação está sujeita à aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), entre outros termos.

As condições adicionais passam pela aprovação do plano de recuperação judicial homologado pela St Marche também nesta quarta-feira, oito meses depois de a varejista concluir uma recuperação extrajudicial que envolvia uma dívida de R$ 528 milhões.

Segundo o Cencosud, com o sinal verde do Cade e a aprovação do plano da RJ homologada hoje, a compra da St Marche será financiada por meio da realocação de capital gerado pelos recursos gerados por outro M&A recente feito pelo grupo – dessa vez, na outra ponta da mesa de negociações.

Em fevereiro de 2025, a companhia vendeu todas as 54 lojas da bandeira Bretas, em Minas Gerais, para a grupo Supermercados BH, em um negócio avaliado em cerca de R$ 716 milhões.

Os valores a serem aportados na operação da St Marche, por sua vez, não foram divulgados pelo Cencosud. Procurado pelo NeoFeed, o grupo chileno informou que iria se ater às informações divulgadas na nota sobre a aquisição.

À parte das cifras envolvidas, o fato é que, com o acordo, o Cencosud reforça sua presença em São Paulo, onde o grupo atuava, até então, apenas com a Giga, rede de atacarejo comprada em maio de 2022, em uma transação de R$ 500 milhões.

Ao incorporar a St Marche, o grupo estende sua atuação na região para o segmento de supermercados voltados à alta renda, trazendo para o seu carrinho uma operação com 32 lojas, em um pacote que inclui ainda o Empório Santa Maria e um centro de distribuição de 7,5 mil metros quadrados.

“É um ativo difícil de replicar organicamente”, diz Ana Paula Tozzi, CEO da AGR Consultores. “E uma oportunidade única para entrar em um segmento de maior valor agregado, que tem clientes de maior renda, frequência de compra elevada e menor sensibilidade ao preço.”

Tozzi ressalta que, mesmo em dificuldades financeiras, a St Marche opera com uma clientela fiel e conseguiu construir uma proposta associada à experiência de compra, sortimento diferenciado, produtos importados, perecíveis de qualidade e conveniência.

“A rede tem forte conexão com os consumidores de alta renda”, diz Tozzi, que destaca os possíveis ganhos para a St Marche, especialmente sob o contexto da recuperação judicial. “A entrada da Cencosud adiciona musculatura financeira, escala de negociação e capacidade de investimento”.

Ao ingressar nesse espaço do varejo alimentar de alta renda em São Paulo, o competidor mais óbvio que o Cenconsud encontrará pela frente será o GPA, que, historicamente, sempre esteve na dianteira dos supermercados premium na capital paulista e região metropolitana.

Entretanto, assim como a St Marche, o GPA também passa por um momento mais desafiador e de dificuldades financeiras, o que em março desse ano, se traduziu em um pedido de recuperação extrajudicial para a reestruturação de R$ 4,5 bilhões em dívidas.

Na avaliação de Alberto Serrentino, fundador da consultoria Varese Retail, a chegada do Cencosud ao segmento não deve trazer impactos, ao menos no curto prazo, para o GPA, tanto pela própria situação da St Marche como pelo processo de transição de lideranças e de integração do ativo.

“A St Marche é uma empresa tocada, desde o início, pelos fundadores, que está migrando para uma corporação”, diz Serrentino. “É preciso entender quem vai tocar essa operação, qual vai ser a cultura. Então, no curto prazo, não acho que eles serão agressivos ao ponto de incomodar o GPA”.

Para Serrentino, no saldo dos dois processos de reestruturação de dívidas, tudo vai depender da qualidade de execução de cada uma das empresas. “O GPA também tem diversas questões para resolver. Ainda tem estoque de contingência grande, alavancagem alta e várias agendas complexas para superar”.

Na mesma linha, Tozzi também não enxerga possíveis impactos para o GPA nessa largada. Mas faz uma ressalva. “A aquisição não significa uma perda imediata de participação, mas certamente aumenta a pressão por competitividade em um momento em que o GPA busca recuperar a confiança do mercado e estabilizar sua operação após anos de reestruturação”.

Já no que diz respeito ao Cencosud, Serrentino ressalta que o grupo tem experiência em operar lojas premium no Chile. Entretanto, no Brasil, a passagem anterior por esse segmento, a partir da aquisição da Perini, na Bahia, em 2010, não rendeu bons frutos.

“Outra questão é qual a estratégia do grupo para a St Marche. Se eles veem, por exemplo, espaço para levar essa bandeia a outros mercados”, afirma ele. “Esse não é um negócio fácil de operar e escalar.”

Dentro de casa

O fato é que o próprio Cencosud tem questões para enfrentar em sua própria operação, à parte, ainda, da St Marche. Em seu balanço mais recente, referente ao primeiro trimestre de 2026, o grupo reportou uma receita de 3,9 bilhões de pesos chilenos, um recuo de 4,4% sobre igual período, um ano antes.

No Brasil, a queda na receita foi ainda mais acentuada, de 12,4%, para 321,2 milhões de pesos chilenos (R$ 1,8 bilhão). Como parte da estratégia recente de foco em rentabilidade na operação, o Ebitda ajustado avançou, porém, 41,9% nesse intervalo, para 12 milhões de pesos chilenos.

Em relatório sobre os resultados, o BTG trouxe um pouco desse panorama, ao ressaltar o resultado fraco, prejudicado pelas operações nas Argentina, no Chile e nos Estados Unidos. E, ao mesmo tempo, a melhora de margens em países como Brasil e Colômbia.

“Embora o Peru e a Colômbia apresentem um ritmo mais forte e o Brasil esteja melhorando, é pouco provável que esses mercados compensem totalmente as tendências mais fracas em outras regiões no curto prazo”, destacou o banco, com recomendação neutra e preço-alvo de 2.900 pesos chilenos para a ação.

Na bolsa de valores de Santiago, as ações do Cencosud registravam queda de 1,41% por volta das 14h25 (horário local), avaliando a empresa em 5,8 trilhões de pesos chilenos (cerca de R$ 33,2 bilhões). No ano, os papéis acumulam alta de mais de 26%.



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Redação

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