Filho de Lemann e Beto Sicupira na mira: operação da PF mira acionistas da Americanas
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* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed
A Polícia Federal e o Ministério Público Federal deflagraram nesta quinta-feira, 25 de junho, a segunda fase da Operação Disclosure, que apura supostas fraudes contábeis estimadas em R$ 54 bilhões nas Americanas.
Paulo Alberto Lemann, filho de Jorge Paulo Lemann, e Carlos Alberto Sicupira são alvos de mandados de busca e apreensão, segundo o UOL. A PF não divulgou oficialmente os nomes dos investigados.
Ao todo, são cumpridos nove mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro e em São Paulo. A 10ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro determinou o sequestro de bens e valores em nome dos investigados até o limite de R$ 54 bilhões.
Paulo Lemann, que era conselheiro, e Sicupira, ao lado de Marcel Telles e Jorge Paulo Lemann, fazia parte do trio que controlava a Americanas. Sicupira era o representante do grupo mais diretamente ligado ao dia a dia da companhia, tendo atuado também como conselheiro.
Segundo a PF, os suspeitos teriam conhecimento de fraudes contábeis praticadas ao longo de anos, relacionadas a operações de risco sacado – mecanismo pelo qual a varejista antecipava pagamentos a fornecedores via empréstimos bancários – e a contratos de verba de propaganda cooperada (VPC) supostamente contabilizados sem lastro econômico. As apurações apontam indícios dos crimes de manipulação de mercado e associação criminosa.
O rombo nas Americanas veio à tona em janeiro de 2023, quando a nova diretoria da companhia revelou inconsistências bilionárias nos balanços. O valor inicial estimado em R$ 20 bilhões foi revisado para R$ 25,3 bilhões pela própria empresa e chegou a R$ 54 bilhões nas investigações da PF.
A revelação derrubou as ações da varejista de cerca de R$ 12 para R$ 0,40 em poucos dias e levou a empresa à recuperação judicial, com dívidas declaradas de R$ 42,5 bilhões.
A primeira fase da Operação Disclosure foi deflagrada em junho de 2024. Na ocasião, a PF e o MPF cumpriram dois mandados de prisão preventiva e 15 mandados de busca e apreensão contra ex-diretores da varejista, com bloqueio de bens superior a R$ 500 milhões.
Os principais alvos à época — o ex-CEO Miguel Gutierrez e a ex-diretora Anna Christina Ramos Saicali — não foram localizados por estarem fora do país e tiveram os nomes incluídos na lista da Interpol. Naquela fase, a PF não fez menção aos acionistas de referência da companhia.