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De Wall Street ao Vaticano: CEO da Blackstone devolve cores à obra-prima do Renascimento

Por Redação 28 de junho de 2026 9 min de leitura


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Stephen A. Schwarzman, CEO da Blackstone, doou US$ 14,3 milhões para o restauro da Loggia di Raffaello no Vaticano, uma obra-prima do Renascimento.

O bilionário tem laços com a cultura católica por causa de sua esposa.

A iniciativa visa revitalizar os afrescos, modernizar as condições ambientais e implementar tecnologias avançadas de conservação.

O projeto, que já está em andamento e deve durar cinco anos, utiliza tecnologia de laser de fibra ativa para limpeza precisa.

A Loggia, projetada por Donato Bramante e decorada sob a supervisão de Rafael, é um exemplo sofisticado da arte do início do século XVI.

O restauro faz parte do programa “Legacy of Raphael” do World Monuments Fund e busca preservar a importância histórica da obra, promovendo um diálogo entre fé e cultura.

Ao final, visitas controladas ao espaço serão permitidas, sempre com rigorosos critérios de segurança.

* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed

Roma — “O espaço era lindo, mas antigo e desbotado”. Essa foi a reação do americano Stephen A. Schwarzman, ao lembrar de sua primeira impressão ao visitar a Loggia di Raffaello (Galeria de Rafael), um corredor do Palácio Apostólico, a residência oficial dos papas no Vaticano. Mais do que uma área de passagem, trata-se de um local híbrido entre arquitetura e pintura, concebido para impressionar.

Mas tanta beleza não resistiu a quase 510 anos de idade e surgiu a necessidade de intervir. “Pessoas que conhecem pessoas” levaram o projeto de restauro da obra-prima renascentista ao CEO da gestora Blackstone, Stephen Schwarzman. E ele, na hora, aceitou participar.

“Eu sou judeu, mas a minha mulher, Christine Hearst, é católica e eu circulo muito nesse meio”, disse Schwarzman, em entrevista ao NeoFeed. “Acreditamos que era uma ótima ideia fazer parte disso.”

Por meio de sua fundação, o investidor doou US$ 14,3 milhões para a iniciativa, que inclui a revitalização dos afrescos, a modernização das condições ambientais e a implementação de tecnologias avançadas de conservação e documentação do patrimônio.



Schwarzman é um dos principais nomes do private equity global. À frente da Blackstone, comanda uma das maiores gestoras de ativos alternativos do mundo, com US$ 1,3 trilhão sob administração. Nos últimos anos, ele, que tem uma fortuna estimada em mais de US$ 40 bilhões, tem direcionado sua atuação filantrópica para a educação e a cultura.

Entre suas iniciativas mais conhecidas está a doação de US$ 350 milhões ao Massachusetts Institute of Technology (MIT), para a criação do Schwarzman College of Computing. Há também a contribuição de US$ 150 milhões para a Universidade Yale e £ 185 milhões destinadas ao Schwarzman Centre for the Humanities, na Universidade de Oxford.

Além da visibilidade global do restauro da obra-prima, o anúncio ganha peso simbólico ao aproximar Stephen Schwarzman e o papa Leão XIV.

Em visita recente, o empresário encontrou o Santo Padre em caráter reservado e levou um presente que já começa a se tornar recorrente na diplomacia da Santa Sé: a camiseta de time. Dessa vez, o mimo foi um exemplar do New York Knicks, equipe de basquete de Nova York.

A peça foi assinada por três jogadores que passaram por Villanova, universidade católica agostiniana da Pensilvânia, onde o pontífice estudou e se formou em Matemática em 1977. O gesto ajuda a iluminar a natureza do próprio projeto: uma rede de conexões entre a cultura americana, a filantropia global e o patrimônio histórico da Igreja Católica.

A intervenção já está em curso e deverá durar cinco anos. Durante a apresentação do projeto na Galeria Lapidária dos Museus Vaticanos, na quarta-feira passada, 24 de junho, os restauradores detalharam o uso de uma tecnologia de última geração chamada laser de fibra ativa.

Operados por cerca de 20 especialistas, os equipamentos, semelhantes a pequenas pistolas, realizam uma limpeza a seco com precisão milimétrica — removem as camadas de resíduos acumuladas ao longo dos séculos sem encostar na obra.

Aos poucos, os cerca de 1,3 mil metros quadrados da galeria recuperam a vivacidade original das cores e a nitidez das composições originais.

Nos últimos anos, Stephen Schwarzman, tem direcionado sua ação filatrópica para a educação e a cultura (Foto: commons.wikimedia.org)

A Loggia está no segundo andar do Palácio Apostólico e voltada para o pátio de São Dâmaso, onde são recebidos os chefes de estado para audiência com Leão XIVVista externa das Loggia (Foto: G. Capone, 2024/Governatorato SCV – Direção dos Museus)

Parede oeste, 6º vão, parede de extremidade direita. Festão vegetal, antes e depois da restauração (Fotos: A. Prinzivalle, 13/01/2020, e G. Capone, 10/09/2020/Governatorato SCV – Direção dos Museus)

O trabalho de restauração usa uma tecnologia de ultraprecisão à base de laser de fibra ativa (Foto: A. Prinzivalle, extraída de vídeo gravado em 2021/Governatorato SCV – Direção dos Museus)

Parede oeste, 6º vão, pilastra, Diana de Éfeso, antes e depois da restauração (Fotos: A. Prinzivalle, 28/10/2022 e 06/02/2024/Governatorato SCV – Direção dos Museus)

Vinte especialistas se dedicam ao restauro da galeria (Foto: Laboratório de Restauração de Pinturas e Materiais em Madeira dos Museus do Vaticano, junho de 2026/Governatorato SCV – Direção dos Museus)

Parede oeste, 6º vão, antes e depois da restauração (Fotos: G. Capone, 30/10/2018 e 10/09/2020/Governatorato SCV – Direção dos Museus)

A estimativa é de que a recuperação da obra renascentista termine em cinco anos (Foto: Laboratório de Restauração de Pinturas e Materiais em Madeira dos Museus do Vaticano, junho de 2026/Governatorato SCV – Direção dos Museus)

Parede leste, 6º vão, pilastra, Cena com putti (anjinhos), antes e depois da restauração (Fotos: A. Prinzivalle, 28/10/2022 e 16/05/2023/Governatorato SCV – Direção dos Museus)

A origem da Loggia di Raffaello está ligada ao programa de renovação do Vaticano iniciado pelo papa Júlio II Della Rovere (1503–1513). Ele confiou ao arquiteto Donato Bramante (1444–1514) a tarefa de reorganizar o complexo.

A ideia era conectar o Palácio Apostólico ao Pátio do Belvedere por meio de uma sequência monumental de espaços, criando uma perspectiva arquitetônica que afirmasse ao mesmo tempo a centralidade da Igreja e a ambição de uma Roma cristã renascida.

É nesse contexto que Bramante concebe a estrutura da Loggia como um percurso em níveis, marcado pela linguagem clássica e pela noção de ordem como expressão de poder. A intervenção estabelece as bases do que seria, mais tarde, desenvolvido por Rafael Sanzio (1483–1520).

Localizada no segundo andar do Palácio Apostólico e voltada para o pátio de São Dâmaso, onde são recebidos os chefes de estado para audiência com Leão XIV. A galeria é um dos exemplos mais sofisticados da arte do início do século XVI aplicada à arquitetura.

Com cerca de 65 metros de comprimento e organizada em 13 vãos, ela estrutura um percurso contínuo, no qual cada travessa do teto é ocupada por episódios do Antigo Testamento nos primeiros segmentos e uma conclusão dedicada ao Novo Testamento no último.

Sob a supervisão de Rafael, entre 1517 e 1519, a execução das pinturas ficou dividida entre seus principais colaboradores. Giulio Romano (1499–1546) cuidou das cenas bíblicas. Já Giovanni da Udine (1487–1564) concebeu as grotescas.

As composições decorativas que combinam elementos vegetais, figuras fantásticas e ornamentos foram inspiradas na Antiguidade clássica — em especial nas descobertas da Domus Aurea, o palácio construído pelo imperador Nero (37–68 d.C.), depois do incêndio de Roma em 64 d.C.

O resultado é uma superfície pictórica que retoma e reinventa a linguagem decorativa romana, transformando-a em narrativa cristã contínua.

A recuperação da obra atua diretamente sobre esse acúmulo histórico de camadas de desgaste. Além da limpeza minuciosa, prevê a substituição integral das janelas e sistemas de vedação por estruturas de alta performance, capazes de filtrar raios ultravioleta e reduzir a entrada de calor, sem comprometer a leitura estética original.

A operação integra o programa Legacy of Raphael: The Vatican and Beyond (O Legado de Rafael: o Vaticano e Além), do World Monuments Fund, organização internacional dedicada à preservação de patrimônios culturais históricos ao redor do mundo, com formação técnica e documentação digital contínua.

Nesse contexto, Barbara Jatta, diretora dos Museus do Vaticano, destaca o papel histórico da obra dentro da carreira do “Divino Rafael”, que dedicou seus últimos anos à sede papal.

“A Loggia di Raffaello é um dos conjuntos mais importantes e delicados do mundo. Nela se concentra, em detalhes extraordinários, a ambição total do Renascimento e a força criativa do artista e de sua equipe”, afirma ela.

Ao final do processo, estão previstas visitas controladas para especialistas e estudiosos, com possibilidade de abertura progressiva ao público, sempre sob rigorosos critérios de segurança.

A obra renascentista não é apenas um objeto de preservação, mas um espaço de permanência e passagem, em que transitam passado e presente, conservação e uso — mostrando ao mundo como o diálogo entre fé e cultura é mais atual do que nunca.



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Redação

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