Na Syn, a expansão não pode sair do “campo de visão” de Elie Horn
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A Syn, criada em 2007 como spin-off da Cyrela, foca em crescimento restrito a um raio de 20 km em São Paulo, onde seu controlador, Elie Horn, pode supervisionar de perto.
A empresa administra quatro shoppings e 168 mil m² de área bruta locável. Horn, que já chegou a reconhecer erros na expansão nacional da Cyrela, agora prioriza a revitalização de ativos.
Para isso, a Syn investe, em 2026, R$ 61,6 milhões em melhorias, como reformas e retrofits em seus quatro shoppings, para aumentar o fluxo de clientes.
A Syn gera 70% de sua receita com shoppings, que em 2022 alcançaram vendas de R$ 3,1 bilhões. No primeiro trimestre de 2023, a receita líquida foi de R$ 60,1 milhões, com lucro líquido de R$ 8,4 milhões. A ocupação dos shoppings é de 97%.
Apesar de um cenário desafiador, a empresa busca oportunidades dentro de seu raio de atuação, sem planos de expansão para novos galpões.
O valor de mercado da Syn é de R$ 645 milhões.
* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed
Criada em 2007 como um spin-off da Cyrela, a companhia Syn Prop Tech é o exemplo claro do significado da expressão “o olho do dono é que engorda o gado”. A empresa, que atua na gestão de shoppings, galpões e edifícios corporativos, planeja crescer somente a partir de um raio de atuação em que seu controlador possa olhar de perto.
Seu dono: Elie Horn, o fundador da Cyrela.
A empresa é dona dos shoppings Cidade São Paulo, na Avenida Paulista; do Tietê Plaza Shopping, na Zona Norte de São Paulo; do Grand Plaza, em Santo André; e do Metropolitano Barra, no Rio de Janeiro. Ao todo, a companhia administra 168 mil metros quadrados (m²) de área bruta locável (ABL).
O raciocínio é semelhante ao implementado por Horn na Cyrela, quando chegou a reconhecer que havia sido um erro a estratégia de expandir nacionalmente a companhia.
Em entrevista concedida ao NeoFeed em 2024, por conta do lançamento de sua biografia, Horn fez uma mea culpa sobre o plano de expansão implementado em sua construtora.
“Por ambição minha, por achar que tudo o que fazia, vendia, achei que poderia abrir empresas em 60 cidades do Brasil. Quando percebemos que erramos, nos recolhemos”, disse o empresário, naquela ocasião.
Hoje, o pensamento estabelecido é justamente o mesmo, que é de fortalecer a companhia nas regiões em que ela já atua, especialmente São Paulo, em um raio de cerca de 20 quilômetros, ou seja, o raio Elie Horn. E é esta política que também foi implementada na Syn.
“É basicamente a região onde o seu Elie consegue ir. Ele quer estar muito perto dos ativos. E isso é um pouco do nosso DNA. A gente consegue estar sempre presente em nossos shoppings. E isso é um diferencial”, diz Ricardo Loducca, CCO da Syn, ao NeoFeed.
No capital social da empresa, Horn, presidente do conselho, tem 38,61% de participação na Syn, somando suas ações como pessoa física e seus veículos de investimento. Leo Krakowiak tem 22,49%. Os demais 38,90% estão no mercado.
Neste sentido, justamente em razão desse raio mais restrito estabelecido por Horn, que inclui basicamente o perímetro da cidade de São Paulo, no máximo a Região Metropolitana, o plano atual é de revitalizar os ativos para gerar mais receita e só pensar em aquisições se surgir uma grande oportunidade.
A companhia separou R$ 61,6 milhões em investimentos para melhorias nos shoppings, incluindo reformas em áreas comuns, retrofit em praças de alimentação e partes estruturais. O plano, no final, é de garantir aumento de fluxo nos centros de compras.
Na prática, é um “banho de loja” em seus shoppings, para melhorar o atendimento e fidelizar o cliente das lojas. “Quero que a pessoa saiba que está em um shopping da Syn, dado a nossa estrutura e forma de atendimento, e que possa consumir mais”, diz Loducca.
Isso significa, na visão do CCO, ampliar oportunidades de compra para os cerca de 3,3 milhões de clientes que frequentam mensalmente os shoppings da Syn: 1 milhão no Grand Plaza e Cidade São Paulo, cada; e cerca de 650 mil nos outros dois, também cada.
“Melhorando o ativo e melhorando o atendimento, a gente tende a conseguir um incremento no tíquete médio”, afirma Loducca.
A estratégia também passa pelo cenário desenhado pelas principais concorrentes da Syn, como Allos e Multiplan, de “olhar para dentro” dos centros de compras, tendo em vista o desafiador cenário macroeconômico, a partir de uma taxa Selic a 14,25% ao ano.
“É bem parecido com que eles [concorrentes] têm colocado, que é de olhar para o interior do shopping e descobrir como é possível tirar mais um caldo daquilo que já existe. Com o atual cenário da taxa de juros, é complicado desenvolver algo do zero ou comprar participação agora”, afirma Loducca.
Do total dos recursos, metade já foi aportado nos shoppings. Boa parte das reformas no Cidade São Paulo já foi concluída. A maior fatia, de R$ 23 milhões, foi destinada ao Grand Plaza, maior unidade do grupo, com 70 mil m² e 300 lojas. Cidade São Paulo recebeu R$ 22,5 milhões, enquanto Tietê Plaza e Metropolitano ficaram com R$ 8 milhões cada.
O shopping mais distante, o Metropolitano, no Rio de Janeiro, que fica perto do Parque Olímpico, inaugurado em 2013, foi um caso de oportunidade de desenvolvimento um empreendimento em uma área em expansão. Ainda que seja um pouco além do “campo de visão” de Elie Horn.
Hoje, cerca de 70% da receita da Syn é oriunda dos shoppings. Os demais vêm de edifícios e galpões. Isso explica, na avaliação de Loducca, o holofote da companhia, em termos de recursos, nestes ativos.
No segmento de galpões, a Syn concluiu recentemente a última fase do centro logístico hoje ocupado pelo Mercado Livre, no entroncamento das rodovias Presidente Dutra com a Fernão Dias, na saída de São Paulo. Mas, por enquanto, não há plano de construir novos galpões. Justamente por falta de oportunidades no “raio de Elie Horn”.
No ano passado, as vendas totais do portfólio de shoppings atingiram R$ 3,1 bilhões, crescimento de 5,7% na comparação anual e 1,2% superior à média do mercado. Parte da receita também vem de mídia, eventos e quiosques, que registraram crescimento de 19% em 2025.
No primeiro trimestre deste ano, a companhia registrou receita líquida de R$ 60,1 milhões, alta de 9,2% sobre a mesma base do ano anterior. O lucro líquido, de R$ 8,4 milhões, cresceu 24,4%. A ocupação física do portfólio da Syn chegou a 97%.
Entre janeiro e março, o volume de vendas nos shoppings alcançou R$ 711,5 milhões, alta de 6,9%. O destaque no período foi o Tietê Plaza, que representou 23% das vendas totais nos centros de compras.
No acumulado de 2026, as ações da Syn registram desvalorização de 12,4%. O valor de mercado da companhia é de R$ 645 milhões.