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MEMÓRIA: Luis Eulálio, o líder do empresariado na redemocratização do Brasil, na visão de Jorge Gerdau

Por Redação 05 de julho de 2026 6 min de leitura


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Luis Eulálio de Bueno Vidigal Filho foi um líder empresarial crucial na história do Brasil.

Como presidente da Fiesp, entre 1980 e 1986, ele não só renovou a entidade como mobilizou o empresariado no processo de redemocratização do país.

Sua gestão, marcada pela credibilidade e capacidade de diálogo, foi fundamental para a articulação do “Manifesto dos Oito”, documento assinado por alguns dos mais influentes empresários brasileiros em defesa da democracia.

Ele rompeu um ciclo de continuidade na Fiesp, promovendo um novo modelo de atuação que incluía diálogo com trabalhadores e a defesa da livre iniciativa.

Além de modernizar a indústria, Luis Eulálio participou de importantes conselhos e comissões, contribuindo para o desenvolvimento econômico, político e social do país.

Sua liderança e visão foram essenciais para a construção da história política e empresarial do Brasil, e seu falecimento, em 29 de junho aos 87 anos, é uma grande perda para a sociedade.

Por Jorge Gerdau.

* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed

Luis Eulálio de Bueno Vidigal Filho foi, indiscutivelmente, um dos principais líderes empresariais que tivemos à frente de uma entidade de classe no Brasil. Isso se deveu não apenas à sua capacidade como empresário, mas também à tradição da família Vidigal na história econômica, social e política do país.

Sua capacidade de mobilização foi decisiva para fortalecer a liderança da Fiesp, a maior entidade representativa da indústria brasileira. Pela diversidade dos setores que reúne e pela relevância de sua atuação, a Fiesp exerceu, durante sua gestão, enorme influência sobre a comunidade empresarial de todo o país.

Em uma entidade como a Fiesp, a liderança depende não apenas do cargo ocupado, mas também da trajetória empresarial, da credibilidade e da capacidade de diálogo de quem a representa. Luis Eulálio reunia essas qualidades, o que foi fundamental para o sucesso de sua gestão.

Naquele período, ainda sob o regime militar, sua liderança foi importante para a articulação do chamado Manifesto dos Oito, um documento em defesa da redemocratização do país. O grupo reuniu alguns dos principais empresários brasileiros, entre eles Antônio Ermírio de Moraes (Grupo Votorantim), José Mindlin (Metal Leve), Cláudio Bardella (Grupo Bardella), Severo Gomes (Santista Têxtil e ex-ministro), Paulo Villares (Indústrias Villares), Laerte Setúbal Filho (Duratex) e Paulo Vellinho (Arno). Tive o privilégio de participar dessa iniciativa.

O documento representou um marco importante ao expressar a posição de um grupo de líderes empresariais em favor da retomada do regime democrático. Depois da etapa iniciada em 1964, tornou-se necessário recolocar o país no caminho da democracia. E esse grupo teve papel relevante ao defender essa transição.

A liderança de Luis Eulálio foi decisiva para mobilizar os principais nomes do empresariado brasileiro em torno desse objetivo. Sua autoridade como presidente da Fiesp, somada à sua trajetória empresarial e ao respeito que inspirava, deu legitimidade ao movimento.

Ao analisar o Brasil de hoje, vejo que continuamos enfrentando um atraso importante na realização de reformas estruturais. Talvez fosse necessária uma articulação semelhante à que tivemos na época da redemocratização, reunindo novamente um grupo de grandes líderes empresariais para defender mudanças essenciais ao país.

A reforma tributária é um bom exemplo. Ela demorou muito mais do que em outros países e nos mantém presos em uma estrutura baseada na cumulatividade dos impostos. Basta lembrar que a França modernizou seu modelo poucos anos depois da criação do nosso ICM [Imposto sobre Circulação de Mercadorias, de 1965].

“Ao assumir a presidência da Fiesp, Luis Eulálio rompeu um longo ciclo de continuidade na entidade e abriu espaço para uma nova forma de atuação do empresariado”

Ao assumir a presidência da Fiesp, em 1980, Luis Eulálio rompeu um longo ciclo de continuidade na entidade [o candidato Theobaldo De Nigris disputava seu nono mandato consecutivo]. Sua vitória marcou uma renovação na representação da indústria paulista e abriu espaço para uma nova forma de atuação do empresariado.

Diferente da postura predominante na época, ele defendeu o diálogo com os trabalhadores e os movimentos sindicais. Em seu discurso de posse, Luis Eulálio disse que caberia “principalmente a nós, empresários, nos posicionarmos com atitudes firmes em defesa daquilo em que acreditamos, demonstrando que o capitalismo, voltado para o benefício da coletividade, ainda é a melhor solução para o Brasil”.

Logo em seguida, completou: “Se apoiarmos a abertura e não nos preocuparmos em defender a economia de mercado, mantendo um esforço conjunto, planificado, sistemático e permanente em favor da livre empresa, teremos, muito provavelmente, amanhã, em nosso país, uma luta de classes de consequências imprevisíveis”.

Ao mesmo tempo, Luis Eulálio defendeu a modernização da indústria brasileira, a livre iniciativa e uma menor intervenção do Estado na economia. Também ampliou a presença internacional do empresariado nacional, presidindo conselhos de cooperação com países como Estados Unidos, Argentina e Japão.

Na esfera pública, Luis Eulálio participou do Conselho Monetário Nacional, da Comissão Provisória de Estudos Constitucionais e do Conselho Estadual do Meio Ambiente de São Paulo.

É nesse contexto que considero tão importante a liderança de Luis Eulálio. Sua trajetória empresarial, sua capacidade de mobilização e sua credibilidade mostraram como o empresariado pode contribuir não apenas para o desenvolvimento econômico, mas também para a retomada da estrutura democrática.

Nós todos temos de ter enorme gratidão por sua atuação e lamentar profundamente seu falecimento [em 29 de junho, aos 87 anos]. Luis Eulálio desempenhou um papel fundamental para São Paulo e para o Brasil. Ao lado dos integrantes do Grupo dos Oito, foi decisivo na construção da história política e empresarial do país.

* Jorge Gerdau é presidente do Conselho Superior do Movimento Brasil Competitivo (MBC) e membro da família que está no bloco de controle da Gerdau.



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Redação

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