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Antes de Hollywood, havia Sarah Bernhardt, a primeira celebridade da história

Por Redação 11 de julho de 2026 7 min de leitura


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Sarah Bernhardt (1844-1923) é considerada a primeira celebridade da história, inspirando a expressão “monstro sagrado”.

A cinebiografia “A Divina Sarah Bernhardt”, dirigida por Guillaume Nicloux, retrata como ela construiu sua imagem e influenciou a cultura da fama.

Excêntrica e visionária, Bernhardt desafiou normas de gênero ao interpretar papéis masculinos, como Hamlet, e cultivou uma persona pública marcada por manias e excessos.

Sua habilidade de autopromoção a levou a realizar grandes turnês internacionais, tornando seu nome conhecido globalmente.

Bernhardt também enfrentou um acidente que resultou na amputação de sua perna, mas continuou a atuar, reforçando sua imagem de coragem.

O filme destaca sua relação tumultuada com Lucien Guitry e sua influência na construção da imagem de celebridade, através de fotografias que se tornaram souvenirs, permitindo que fãs se conectassem com sua figura glamourosa.

* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed

A atriz francesa Sarah Bernhardt (1844-1923) teria inspirado a expressão “monstro sagrado”, cunhada por Jean Cocteau no início do século 20. Antes dela, nenhum artista jamais havia alcançado um status de caráter mítico nem conquistado projeção global.

Não por acaso, “a Divina”, como era chamada, é considerada a primeira celebridade da história. “Até nos lugares mais remotos, as pessoas conhecerão o meu nome”, diz a atriz na cinebiografia prevista para estrear nos cinemas brasileiros em 16 de julho.

Embora o filme dirigido por Guillaume Nicloux não tenha como foco o pioneirismo de Bernhardt, as passagens da vida da atriz escolhidas para A Divina Sarah Bernhardt ilustram mostram como ela criou um modelo de construção da própria imagem e lançou as bases da cultura contemporânea da fama.

Até na intimidade, a atriz se preocupava com a sua marca pessoal, tentando impressionar quem estava à sua volta.

Excêntrica, rebelde, feminista e visionária, Bernhardt entendia perfeitamente que, quanto mais alimentasse a mitologia em torno de sua figura, mais fascínio despertaria. E, meticulasemente, ela construiu uma persona pública marcada por manias, transgressões e excessos.

Assim, garantia a atenção do público e da mídia — usando-a e manipulando-a a seu favor. O sucesso da francesa, portanto, não se explica apenas pelo talento como atriz, ainda que fosse capaz de hipnotizar a plateia com performances intensas em peças clássicas francesas, sobretudo tragédias.

Seu inconformismo a levou a quebrar barreiras de gênero, provocando escândalos. Foi o que aconteceu quando ela desafiou o teatro da época, ao interpretar papéis masculinos, principalmente o personagem-título de Hamlet, de William Shakespeare.

A habilidade para se autopromover fica clara nas cenas ambientadas em 1896, com a atriz na casa dos 50 anos e no ápice da carreira, interpretada com a extravagância necessária pela atriz Sandrine Kiberlain.

Vale tudo para cultivar uma imagem digna de culto, seja com a opulência do guarda-roupa ou com as bizarrices da sua vida doméstica. Como dormir em um caixão, o que supostamente a ajudaria na preparação para seus personagens ou preferir animais de estimação exóticos, como um guepardo e uma jiboia.

Bernhardt fazia questão de se comportar como uma diva, justamente para dar o que falar. Sexualmente livre, o que chocava a sensibilidade da época, a atriz teve um passado de cortesã e não escondia os seus (vários) amantes. E ela mesma contribuía para a sua reputação de estrela de temperamento explosivo, chegando a dar um tapa em colega da Comédie-Française.

A atriz ainda exigia cachês exorbitantes para se apresentar, cobrando de US$ 1 mil a US$ 1,5 mil por espetáculo — uma fortuna na época. Como ela mesma administrava os seus contratos, logo percebeu que podia aumentar consideravelmente a sua fonte de renda, aproveitando a baixa temporada nos teatros franceses para viajar pelo mundo.

O filme de Guillaume Nicloux mostra como a atriz francesa soube como atrair a atenção da imprensa (Foto: Les Films du Kiosque) 

A escolha polêmica do roteiro de Nathalie Leuthreau foi o destaque dado ao romance turbulento de Bernhardt com o ator Lucien Guitry, vivido por Laurent Lafitte (Foto: Les Films du Kiosque) 

A francesa alimentava o imaginário coletivo com fotografias de si mesma idealizadas como obras de arte (Foto: commons.wikimedia.org)

Bernhardt chocou o mundo do teatro ao, em 1899, interpretar Hamlet (Foto: commons.wikimedia.org)

“Cartões-postais” com imagens da atriz eram estrategicamente vendidos como “souvenirs” ao redor do globo (Foto: commons.wikimedia.org)

Ela foi a primeira a realizar grandes turnês internacionais, circulando pela Europa, pelas Américas e pela Austrália. Com isso, seu nome passou a ser conhecido mesmo por quem nunca havia assistido a uma de suas peças.

À medida que consolidava sua fama além das fronteiras francesas, abastecia a imprensa com histórias sobre suas viagens, deslocando-se com 75 caixotes repletos de roupas luxuosas e cerca de 250 pares de sapatos.

Bernhardt esteve três vezes no Brasil, em 1886, 1893 e 1905. Aliás, o acidente que levou à amputação de sua perna direita ocorreu no Rio de Janeiro, em sua última passagem pelo país. No epílogo da peça La Tosca, na cena em que a protagonista comete suicídio atirando-se do alto de um muro, a francesa machucou o joelho — a produção esqueceu de colocar o colchão que suavizaria a queda da atriz.

Esse foi o início de um tormento que se estendeu por uma década e que ganha destaque no filme. Como Bernhardt recusava assistência médica, o joelho nunca foi tratado corretamente. A lesão gangrenou e, em 1915, ela foi submetida à amputação. Mas isso não impediu a atriz de continuar trabalhando.

Por orgulho, recusava-se a usar muletas. Passou a atuar, na maior parte das vezes, sentada — e continuou a ser aclamada por suas interpretações. A história reforçou sua aura de coragem e contribuiu ainda mais para sua mitologia.

Na cinebiografia, a grande luta da atriz foi a relação turbulenta e obsessiva com o colega de profissão e amante Lucien Guitry (vivido por Laurent Lafitte). E essa é a escolha polêmica do roteiro assinado por Nathalie Leuthreau. Com uma trajetória pessoal e profissional tão fascinante, por que colocar sua desilusão amorosa sob o microscópio?

Apesar do recorte, o filme pinta um retrato fiel da mulher à frente do seu tempo. Bernhardt não deixou apenas sua marca como atriz, mas levou sua influência a um patamar superior, tornando-se uma estrela global.

Muito antes das redes sociais, ela alimentava o imaginário coletivo com fotografias de si mesma idealizadas como obras de arte. A sua parceria com o fotógrafo Napoleon Sarony, em particular, foi histórica.

Com retratos estilosos e teatrais, Bernhardt ajudou a moldar a imagem de uma celebridade, recebendo US$ 1,5 mil por sessão — até então o valor mais alto já pago a uma modelo”. E essas fotos (produzidas em massa, no formato de cartões-postais) eram estrategicamente vendidas como “souvenirs” ao redor do globo.

Assim, mesmo quem não pudesse pagar para vê-la nos palcos, poderia comprar uma imagem e criar uma intimidade com a atriz, seduzido pelo luxo, pelo glamour e pela extravagância que Bernhardt evocava tão naturalmente.



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Redação

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