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A Ânima comprou a FMU pensando no ganho de margem. O mercado viu diferente e ações caem 30%

Por Redação 15 de julho de 2026 5 min de leitura


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As ações da Ânima Educação caíram mais de 30% após a aquisição das Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU) por R$ 410 milhões, um valor considerado elevado, especialmente dado que a FMU está em recuperação judicial.

Analistas do BTG Pactual rebaixaram a recomendação das ações, citando a dificuldade de justificar a aquisição em um cenário de altos custos de capital e um balanço patrimonial pressionado.

O Citi também questionou o valor pago, considerando-o um prêmio elevado em relação ao múltiplo das ações da Ânima.

A FMU perdeu participação de mercado e enfrenta desafios financeiros, o que torna a integração do ativo um desafio. Apesar de algumas análises reconhecerem oportunidades de sinergia, a avaliação e a alavancagem permanecem preocupações centrais para os investidores.

* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed

As ações da Ânima Educação estão despencando no pregão de quarta-feira, 15 de julho, com queda superior a 30%. Os investidores estão reagindo à notícia de que a companhia concluiu a aquisição das Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU).

Após o fechamento de mercado de segunda, 14, a companhia informou ao mercado a compra da FMU por R$ 410 milhões, sendo R$ 240 milhões à vista e R$ 170 milhões até dezembro de 2029.

Por volta das 13h, o papel ANIM3 caía 30,6%, cotado a R$ 1,99. No ano, a ação acumula desvalorização de 39,5%, reduzindo o valor de mercado da companhia para R$ 808,1 milhões.

Duas questões estão fazendo o mercado coçar a cabeça neste momento, punindo os papéis: por que e para quê a companhia decidiu seguir com a aquisição de um ativo problemático e por um valor considerado elevado?

A operação com uma instituição de ensino que está em recuperação judicial. A FMU fazia parte do portfólio da Laureate, adquirido pela Ânima em 2020, mas acabou sendo vendida à gestora de private equity Farallon.

Segundo a Ânima, a chegada da FMU deve fortalecer a posição da companhia em cursos como Direito e na área da saúde, além de ampliar a oferta de cursos na modalidade de Ensino a Distância (EAD), cujas regras foram endurecidas pelo governo federal no ano passado.

A justificativa não convenceu os analistas do BTG Pactual, que rebaixaram a recomendação para as ações da Ânima de compra para neutro e reduziram o preço-alvo de R$ 7 para R$ 4.

Segundo eles, a aquisição é difícil de justificar diante do preço pago e das circunstâncias do mercado, com o custo de capital no Brasil em níveis historicamente elevados. Os analistas afirmam ainda que a Ânima segue com um balanço patrimonial pressionado, apesar dos esforços para reduzir a alavancagem e otimizar o portfólio.

“Acreditamos que a aquisição muda drasticamente a tese de investimento que vinha sendo construída com base na geração consistente de fluxo de caixa livre, maior capacidade de distribuição de dividendos e uma melhor estratégia de alocação de capital desde a aquisição da Laureate”, diz trecho do relatório assinado pelos analistas Samuel Alves, Maria Resende e Marcel Zambello.

O valor pago também foi questionado pelo Citi. Segundo o analista Leandro Bastos, apesar de a companhia ter apresentado “argumentos convincentes” sobre as oportunidades de sinergias e o valor estratégico da marca, os termos financeiros não convencem.

Ele afirma que o valor pago pressupõe uma avaliação equivalente a 10,6 vezes a relação entre o valor da firma (EV) e o Ebitda dos últimos 12 meses, ou 6,7 vezes após a captura das sinergias. Trata-se de um prêmio considerável em relação ao múltiplo pelo qual as ações da Ânima são negociadas, de 3,3 vezes.

“Acreditamos que o prêmio no valuation é difícil de justificar (um simples exercício de arbitragem de múltiplos sugere uma queda de aproximadamente 36%), enquanto o aumento da alavancagem é indesejável em um ambiente de altas taxas de juros”, diz trecho do relatório, que calcula que a relação entre dívida líquida e Ebitda subirá de 2,4 vezes para 2,7 vezes.

O preço também não se justifica pelo momento vivido pela FMU, que enfrenta dificuldades operacionais. O BTG Pactual afirma que a instituição perdeu participação de mercado em São Paulo, onde atua — de 9% em 2021 para 6% em 2024 —, além de enfrentar desafios financeiros significativos, que a levaram a pedir recuperação judicial no ano passado.

O analista do Citi afirma que “integrar um ativo com baixo desempenho em um regime de recuperação judicial deve ser um desafio”.

O Itaú BBA pesou menos na avaliação. Embora reconheçam que o valuation da FMU e os impactos sobre a alavancagem pesam, os analistas Vinicius Figueiredo, Lucca Marquezini e Felipe Amancio afirmam que o ativo pode oferecer oportunidades de integração operacional e comercial ao ecossistema da Ânima ao longo do tempo.

Eles destacam um cálculo da companhia segundo o qual, se as margens operacionais da FMU convergirem para os níveis atuais das grandes instituições comparáveis dentro da Ânima, o lucro operacional do ativo poderá aumentar de R$ 53 milhões para algo entre R$ 97 milhões e R$ 131 milhões, antes de considerar qualquer crescimento da receita.

“Reconhecemos que o valor estratégico da transação nem sempre é fácil de quantificar; no entanto, a avaliação e a alavancagem provavelmente continuarão sendo as principais preocupações dos investidores”, diz trecho do relatório.



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Redação

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