Últimas
Bem-vindo ao FranquiaNews O portal das franquias do Brasil Bem-vindo ao FranquiaNews O portal das franquias do Brasil
IBOVESPA 128.450 ▲ +1,2%
USD/BRL 5,12 ▼ -0,3%
TAXA SELIC 10,5%
ABF INDEX 1.847 ▲ +2,1%
Gestão

Apps de entrega e e-commerce aceleram carteiras de FIDCs e superam R$ 25 bi em concessão de crédito

Por Redação 27 de julho de 2026 7 min de leitura


Ler o resumo da matéria

Empresas de delivery, varejo e mobilidade vêm ampliando o uso de FIDCs para financiar operações de crédito. Levantamento do NeoFeed identificou 18 fundos ligados a iFood, Shopee, Mercado Pago, 99, Rappi e Magazine Luiza, cuja carteira conjunta saltou de R$ 19,6 bilhões em dezembro para R$ 27,3 bilhões em junho, alta de quase 40%.

O iFood, que acaba de captar R$ 600 milhões em uma oferta de cotas seniores, tinha R$ 3,2 bilhões em patrimônio líquido em cinco FIDCs até junho. A Shopee liderava entre as empresas mapeadas, com R$ 9,6 bilhões, alta de 79% no semestre. O Mercado Livre somava R$ 5,7 bilhões e reduziu a inadimplência de 22,3% para 19,9% da carteira.

Nos 14 fundos com risco de inadimplência, o volume em atraso subiu de R$ 2,9 bilhões para R$ 3,7 bilhões. A maior pressão veio dos fundos ligados à 99, responsáveis por 75% do aumento no período. O GONN mais que dobrou a inadimplência, para R$ 702,3 milhões, enquanto o GONN II chegou a R$ 803,7 milhões.

* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed

O iFood levantou R$ 600 milhões por meio de uma oferta de cotas seniores de um de seus fundos de crédito, encerrada na semana passada. Com a nova captação, a empresa de delivery consolida uma estrutura de cinco FIDCs que somava cerca de R$ 3,2 bilhões em patrimônio líquido até junho — volume que deve crescer ainda mais com o reforço recém-concluído.

O movimento do iFood não é isolado. Cada vez mais empresas do setor de delivery, varejo e mobilidade têm recorrido a FIDCs para financiar suas operações de crédito. Um levantamento do NeoFeed identificou 18 fundos ativos ligados a seis dessas empresas — iFood, Shopee, Mercado Livre, 99, Rappi e Magazine Luiza — cuja carteira de crédito conjunta saltou de R$ 19,6 bilhões em dezembro para R$ 27,3 bilhões em junho, alta de quase 40% em seis meses.

As plataformas não emprestam diretamente: atuam como correspondentes bancários, usando o histórico e os dados que já têm sobre quem usa seus aplicativos para aprovar crédito em nome de instituições financeiras parceiras. Em todos os casos, o FIDC funciona como uma alavanca, permitindo ampliar a oferta de crédito captando com investidores institucionais.

O público, porém, varia. Nos fundos voltados para consumidores, o dinheiro é destinado para financiar compras ou para empréstimo pessoal. Em outros veículos, restaurantes e pequenos vendedores recebem capital de giro descontado dos próprios recebíveis dentro da plataforma.

A tendência é que esse mercado siga crescendo a passos largos. Um dos fundos identificados pelo NeoFeed sequer começou a captar recursos. O Mercado Crédito III Brasil FIDC, ligado ao Mercado Livre, foi constituído em 4 de maio, mas ainda não tem operação nem patrimônio relevante registrado nos informes enviados à Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Segundo uma fonte do mercado de estruturação de FIDCs ouvida sob condição de anonimato, esse intervalo é normal. “Com a constituição do fundo, o gestor prepara toda a parte burocrática — abertura de conta no banco, documentação, registro — para a oferta inicial, que costuma acontecer poucos meses depois da abertura.”

Até o fim de junho, os fundos ligados ao Mercado Livre somavam R$ 5,7 bilhões em patrimônio líquido, quase 12% a mais que no início do ano. Embora também utilize outros instrumentos, a exemplo de uma captação de R$ 1,5 bilhão por meio de letras financeiras, a companhia está entre as que mais apostam nessa frente.

Entre as seis empresas mapeadas, somente Shopee tem uma maior estrutura de FIDCs, com R$ 11,1 bilhões em carteira nos fundos ligados à varejista asiática. O avanço tem sido acelerado, com crescimento de 78% no semestre – o maior salto percentual entre as estruturas de porte relevante do levantamento.

O único fundo identificado do Rappi, o Moustache Rappi, até cresceu mais no período, mas em cima de uma base menor. De um patrimônio líquido de R$ 25,7 milhões no início do ano, saltou para R$ 68,1 milhões. Veículos ligados à 99 cresceram 36% em patrimônio no período, enquanto os do iFood, 18%.

O Magazine Luiza foi a única das companhias mapeadas a registrar encolhimento de suas estruturas, com redução de 4% no patrimônio do FIDC Magalu I. Em junho, o fundo tinha R$ 71,2 milhões em créditos inadimplentes contra um patrimônio líquido de R$ 46,6 milhões.

Inadimplência zero

O contraste mais nítido do levantamento está no FIDC IFOOD I. Maior fundo do grupo, com R$ 1,4 bilhão em patrimônio em junho, o veículo compra dos restaurantes parceiros valores que eles já têm a receber de vendas feitas por cartão, Pix ou vale-refeição, e que estão apenas represados no sistema de pagamento aguardando repasse. Como resultado, sua inadimplência é zero.

Outros três fundos do levantamento também fecharam junho com inadimplência zerada, mas por motivos diferentes entre si.

Um deles é o Moustache Rappi, que opera num modelo parecido com o do IFOOD I. Em vez de emprestar a restaurantes ou entregadores, o fundo compra faturas que uma empresa ligada à Rappi tem a receber da própria companhia por serviços já prestados.

Outro é o MONEE FIC, da Shopee, que investe em cotas de outros veículos da empresa, sem carteira própria para ficar inadimplente. Já o Mercado Crédito Estruturado, do Mercado Livre, opera empréstimo via CCB, mas, como nasceu em novembro do ano passado, teve pouco tempo para a inadimplência aparecer.

Excluindo os fundos IFOOD I, Moustache Rappi e MONEE FIC — os únicos com inadimplência estruturalmente zerada — o quadro dos 15 veículos restantes mostra uma inadimplência que saltou de R$ 2,9 bilhões para R$ 3,7 bilhões entre dezembro e junho — equivalente a 16,6% da carteira bruta somada desses fundos.

Controle de risco

A provisão constituída pelos fundos para cobrir eventuais perdas de crédito seguiu ritmo parecido: saltou de R$ 4,6 bilhões para R$ 6,2 bilhões no mesmo período, alta de 35% — mesma velocidade de crescimento da carteira. Considerando a carteira bruta, a provisão hoje soma 27,9% do total emprestado pelos 15 fundos — ante 28,1% em dezembro.

Praticamente três quartos de todo esse aumento vieram dos FIDCs ligados à 99. Juntos, o GONN, o GONN II e o GONN III somaram R$ 590 milhões a mais em inadimplência entre dezembro e junho — 75% do total de R$ 791 milhões que os 18 fundos do levantamento acrescentaram no período.

O grosso do problema está concentrado no GONN, o maior e mais antigo fundo do trio, cuja inadimplência mais que dobrou, saltando de R$ 337,8 milhões para R$ 702,3 milhões. Já o GONN II chegou a junho com o maior volume absoluto de inadimplência do setor, com R$ 803,7 milhões.

Os créditos, na prática, funcionam como empréstimo pessoal puro, oferecido a pessoas físicas, que passam por uma análise de crédito da própria 99.

O GONN III, terceiro fundo do trio, parece ser a resposta da 99 a esse cenário. Criado do zero em dezembro, sua carteira nasceu sob um critério de crédito mais rígido, com seu regulamento limitando a idade dos tomadores entre 20 e 70 anos, contra 18 a 85 anos permitidos no GONN II.

O Mercado Livre foi na direção oposta. Embora tenha sido o que menos cresceu em FIDCs dos quatro grupos com mais de R$ 1 bilhão nesse tipo de estrutura, foi o único a reduzir a inadimplência. Mesmo com a carteira do grupo crescendo 11% no semestre, a inadimplência absoluta recuou de R$ 1,65 bilhão para R$ 1,63 bilhão, caindo de 22,3% para 19,9% da carteira.



Fonte Link

Redação

Veja também

Deixe um comentário

R$ 260bi Faturamento do Setor
180.000+ Unidades Ativas
3.200+ Marcas Franqueadoras
1.3M Empregos Diretos