Startup pivota negócio para surfar boom do consignado e capta R$ 80 milhões em 60 dias
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A abertura do consignado privado a trabalhadores com carteira assinada levou a antiga CondoLivre a mudar de estratégia e de nome. Rebatizada como FAZ Cred, a empresa praticamente deixou o crédito livre para condomínios e concentrou sua atuação no consignado, agora também voltado a outros setores.
Antes, a companhia acessava 60 mil trabalhadores por meio de convênios com condomínios. Com o novo modelo, esse mercado potencial subiu para 400 mil pessoas, embora a concorrência com bancos tenha reduzido a originação. Para preservar espaço, a FAZ Cred usa canais próprios, como WhatsApp, agentes de inteligência artificial e atendimento direto.
A empresa opera dois FIDCs. O FAZ Cred CondoLivre tem carteira de R$ 160 milhões e inadimplência entre 10% e 15%. Já o FAZ Cred Mais Trabalhador, voltado inicialmente a saúde e educação, alcançou R$ 80 milhões em apenas 60 dias. Os dois fundos têm tíquete médio próximo de R$ 1.500.
Segundo o CEO Henrique Rusca, a estratégia é pulverizar o crédito entre tomadores e empresas pagadoras. A FAZ Cred já estuda avançar também para os setores automotivo e de construção civil.
* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed
Em apenas 60 dias de operação, um novo fundo de investimento em direitos creditórios (FIDC) captou R$ 80 milhões e triplicou o volume total de contratos da FAZ Cred.
Voltado para os setores de saúde e educação, o fundo FAZ Cred Mais Trabalhador é o símbolo de uma transformação pela qual passou a fintech. Há cinco anos no mercado, a startup nasceu como Condolivre e era focada em crédito para condomínios, mas decidiu abandonar a dependência do nicho original para se reorganizar e acelerar no consignado privado.
A virada de chave começou em março de 2025, quando as novas regras do consignado privado passaram a valer. A regulamentação permitiu que qualquer trabalhador com carteira assinada contratasse crédito diretamente pelo aplicativo do governo, em um leilão de ofertas entre instituições financeiras, sem a necessidade de convênios prévios entre as empresas e os bancos.
A alteração permitiu a manutenção dos pagamentos automatizados mesmo após a troca de emprego formal (reduzindo o risco em demissões) e fez a carteira da modalidade saltar de R$ 40 bilhões para R$ 140 bilhões, segundo o Banco Central e o Ministério do Trabalho e Emprego.
Para a antiga Condolivre – que nasceu em 2021 com uma rodada seed de R$ 13 milhões liderada pela TAG Investimentos e pela Vila Velha Corretora, além de anjos -, a nova regra governamental acabou com a vantagem competitiva que mantinha ao fechar acordos exclusivos com condomínios para atender porteiros e zeladores, uma base de 60 mil trabalhadores celetistas.
Diante do novo cenário, a startup preferiu pivotar de vez. Praticamente abandonou o crédito livre para os condomínios, mudou de nome para FAZ Cred e abriu o leque para outros setores da economia, apostando todas as fichas no consignado.
“Quando vimos a oportunidade do consignado privado, decidimos nos tornar especialistas nisso e operar diretamente. É um mercado em rápida expansão, mas acreditamos que vai exigir um pouco de diligência para operar”, diz Henrique Rusca, CEO da FAZ Cred, ao NeoFeed.
A ideia inicial era apenas vender a plataforma de análise de crédito para que terceiros operassem em outros segmentos do consignado. No entanto, a demanda dos investidores, interessados apenas em alocar capital, mudou o rumo da empresa.
“Nós tínhamos muitos investidores que batiam à nossa porta: ‘Estou achando esse negócio interessante, tenho capital e gostaria de alocar’. Só que a gente respondia: ‘Eu te dou o carro, mas você tem que encontrar o piloto’. E muita gente dizia: ‘Não, obrigado’.”
Sem encontrar quem assumisse o volante, a empresa encampou toda a cadeia de crédito e estruturou o FAZ Cred Mais Trabalhador. O principal investidor por trás dos veículos da fintech é a gestora Patrimonial, que possui cerca de R$ 1,6 bilhão sob gestão, segundo dados da Anbima, e já era parceira no primeiro fundo condominial da empresa, batizado de FAZ Cred Condolivre FIDC — que soma R$ 160 milhões em carteira.
“Depois de conhecerem nossa operação [no primeiro fundo], eles se sentiram seguros o suficiente para iniciar um segundo veículo voltado a novos mercados”, afirma o executivo.
Apesar de o novo FIDC focar em segmentos com salários mais altos, como os de saúde e educação, o tíquete médio das operações permaneceu entre R$ 1.500 e R$ 1.600, em linha com o fundo original. Rusca explica que o resultado é proposital, uma vez que a empresa prefere pulverizar o risco a concentrar o crédito em poucos tomadores.
A companhia limita o valor que uma mesma pessoa pode contratar repetidamente e estende a regra às empresas pagadoras: nenhuma delas responde por mais de 1% da carteira.
Como o novo veículo é recente, sua inadimplência ainda não maturou. Já no fundo restrito ao setor condominial, com histórico mais longo, a taxa oscila entre 10% e 15%. A empresa recebe cerca de 80% do valor esperado via repasse direto do governo e recupera entre 5% e 10% com a própria área de cobrança.
A abertura do leilão governamental também transformou a operação interna da FAZ Cred. Embora a entrada livre para qualquer banco tenha feito a originação recuar em relação ao período de exclusividade dos convênios, o mercado endereçável da fintech no nicho condominial saltou de 60 mil para 400 mil trabalhadores.
Para sustentar a originação e não depender apenas de ser a oferta mais barata do leilão, a empresa utiliza canais próprios de relacionamento construídos ao longo dos anos, agentes de inteligência artificial, atendimento direto via WhatsApp e ferramentas internas de precificação aperfeiçoadas desde a sua fundação.
“Nós fizemos vários testes de preço para encontrar ofertas que convertessem mais no leilão. Confesso que, no início, achávamos que seria difícil competir com os grandes bancos. Mas os condomínios geralmente são PMEs, têm dois ou três funcionários, e nem todos querem se especializar nisso”, conta Rusca.
Nos novos nichos de atuação (saúde e educação), o CEO projeta um mercado endereçável entre cinco e dez vezes maior que a base condominial. Segundo ele, o novo fundo cresce em um ritmo de originação duas vezes mais rápido. O próximo passo da FAZ Cred é continuar abrindo frentes, avaliando oportunidades nos setores automotivo e de construção civil.
“Gostamos de setores com alta taxa de reempregabilidade”, aponta Rusca, referindo-se à mecânica de manutenção dos descontos mesmo com a troca de emprego. Segundo ele, um índice elevado de demissões num setor, sozinho, não afasta a fintech, uma vez que é perfeitamente viável recuperar o crédito assim que o trabalhador é recontratado por um novo empregador.