RBR capta R$ 1 bilhão em 12 meses e acelera em uma tese diferente em infraestrutura após venda ao Patria
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Após a venda de seu portfólio de fundos listados, a RBR Asset Management vê na infraestrutura como motor de crescimento, com R$ 1,5 bilhão em ativos nessa área.
A gestora captou R$ 1 bilhão nos últimos 12 meses, puxado pela estratégia de crédito estruturado, financiando projetos em estágios iniciais através de empréstimos-ponte, num momento em que os juros altos prejudica o início de obras.
Com um cheque ideal entre R$ 100 milhões e R$ 200 milhões, a gestora já realizou financiamentos em projetos de iluminação pública e biometano.
A RBR vê a possibilidade de captar mais R$ 1 bilhão em crédito estruturado nos próximos 12 meses, enquanto a demanda por renda fixa continua alta, destacando-se em um mercado com poucos gestores focados em crédito para projetos em desenvolvimento.
* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed
Após vender seu portfólio de fundos listados de real estate ao Patria Investimentos, que contava com R$ 8 bilhões sob gestão, no fim do ano passado, a RBR Asset Management abre um novo capítulo. Agora, a área de infraestrutura deve ser um dos principais motores de crescimento da gestora.
Criada há quatro anos, a vertical vem acelerando sua participação. A casa, que possui um total de R$ 5,5 bilhões em ativos sob gestão (AuM, na sigla em inglês), já conta com R$ 1,5 bilhão na área de infraestrutura. Desse volume, R$ 1 bilhão foi captado nos últimos 12 meses.
Diante do apetite do mercado pelo tema de infraestrutura, seja por novas opções de financiamento, ou por novas oportunidades de investimento, a expectativa é de que a área ganhe espaço relevante na RBR, consolidando a casa como uma das maiores gestoras de ativos reais do País.
“Acho totalmente possível que a RBR seja uma empresa meio a meio entre imobiliário e infraestrutura”, diz Ricardo Almendra, CEO e sócio-fundador da RBR Asset, ao NeoFeed. “Eu não me surpreenderia se, em cinco anos, a gente fosse uma empresa totalmente equivalente nos dois setores.”
Para isso, a RBR vê o crédito estruturado como o “carro-chefe” da operação de infraestrutura, que puxou a captação nos últimos 12 meses. Do total de R$ 1,5 bilhão de AuM da área, cerca de R$ 1,1 bilhão está alocado nessa frente, enquanto R$ 300 milhões estão em fundos que investem em debêntures incentivadas e R$ 100 milhões estão em uma estratégia de equity.
A estratégia está concentrada em financiar projetos que ainda não estão maduros o suficiente para acessar as estruturas tradicionais de financiamento de longo prazo, por meio de empréstimos-ponte.
Nesse tipo de operação, os recursos são usados para financiar a implantação de projetos, enquanto o empreendedor avança nas etapas necessárias para conseguir uma dívida de prazo mais longo. A operação normalmente é repaga quando o projeto consegue acessar uma debênture incentivada ou outra modalidade de dívida de longo prazo.
“O nosso foco está no capital que a gente chama de transitório, cujo principal aspecto é que a duration dele é menor, de curto prazo”, afirma Raphael Barcelos, sócio e co-portfólio manager da área de Infraestrutura da RBR.
O modelo também pode ser usado para financiar parte do equity eventualmente necessário para um projeto. Nesse caso, a RBR pode estruturar um empréstimo-ponte para uma parcela desse equity, cuja saída ocorre posteriormente com um evento de liquidez do acionista.
O cheque ideal da RBR hoje está entre R$ 100 milhões e R$ 200 milhões. A gestora pode fazer uma operação sozinha nesse intervalo ou participar, ao lado de bancos e outros investidores, de financiamentos maiores. Em contrapartida, busca proteção por meio de garantias reais, posição sênior na estrutura de capital e mecanismos de governança.
Entre os financiamentos nesse formato está um empréstimo-ponte de R$ 40 milhões para a concessão de iluminação pública de Campinas, há dois anos, em um projeto com capex total próximo de R$ 150 milhões.
A casa também fez um empréstimo-ponte, no fim do ano passado, de R$ 220 milhões para uma planta de biometano da Gás Verde em Seropédica (RJ), que está em fase de ramp-up, além de financiamentos para concessões rodoviárias e para a eletrificação de balsas no Estado de São Paulo.
A avaliação é de que o formato une a “fome” dos empreendedores com a “vontade de comer” dos investidores. Pelo lado de quem toma os recursos, o ambiente de juros elevados aumenta a atratividade desse formato.
Com o custo do financiamento de longo prazo ainda elevado, o empreendedor opta por contratar um empréstimo-ponte para manter o cronograma do projeto enquanto aguarda uma eventual melhora das condições de mercado ou a obtenção de linhas de bancos de desenvolvimento.
Do lado dos investidores, está a possibilidade de acessar um produto que combina remuneração de crédito privado, isenção tributária e exposição a operações que não são amplamente distribuídas no mercado, com retorno elevado, em um momento em que a demanda está concentrada em renda fixa.
A RBR está utilizando o formato de FIP-IE (Fundo de Investimento em Participações em Infraestrutura), aproveitando os benefícios fiscais desses veículos, com isenção de Imposto de Renda sobre os rendimentos para pessoas físicas.

Os fundos da RBR não são listados e possuem prazo determinado. Ao fim da vida útil do fundo, o investidor vai receber o dinheiro de volta com, em média, 300 pontos de spread, líquidos de impostos e taxas, segundo Almendra. Na prática, isso significa algo na faixa de CDI mais 3% ao ano ou IPCA mais 11% ao ano.
“Existe um ambiente de juro muito alto e uma demanda muito grande por renda fixa”, afirma ele. “O investidor está muito interessado em instrumentos de renda fixa e muito menos interessado em instrumentos de equity.”
Diferencial no mercado
Com esse formato, a RBR entende que pode se diferenciar e crescer no mercado de infraestrutura, que nos últimos anos viu as debêntures incentivadas figurarem entre as classes de ativos preferidas dos investidores. Esses ativos encerraram 2025 registrando o maior volume anual da série histórica da Anbima, iniciada em 2018, com a captação atingindo R$ 177,97 bilhões.
Em vez de disputar diretamente o mercado de debêntures incentivadas, a RBR quer ocupar um espaço ainda pouco explorado entre o financiamento bancário e esses instrumentos. Enquanto existe um universo amplo de gestores e fundos disputando ativos de infraestrutura já maduros, Almendra vê poucos players especializados em estruturar crédito para projetos que ainda precisam chegar ao estágio de financiamento permanente.
“Tem pouquíssimos gestores fazendo o que fazemos”, diz. “Conseguimos fazer bem mais do que está fazendo, porque tem poucos players nesse tipo de empréstimo-ponte, com atuação em todas as pontas.”
Diante da perspectiva de que os juros vão demorar a cair para um patamar razoável para o financiamento de projetos, Almendra vê como possível captar mais R$ 1 bilhão para a estratégia nos próximos 12 meses, caso o ritmo de oportunidades e a demanda dos investidores se mantenham.
Com o crédito estruturado “bombando”, as outras estratégias vão ficar em segundo plano. Em equity, a RBR conta com uma participação na concessão de iluminação pública de Joinville, em Santa Catarina. “Vamos fazer R$ 1 bilhão de equity nos próximos 12 meses? Possivelmente não. Eu acho que é algo mais artesanal, à medida que as oportunidades vão surgindo”, afirma.