Estrangeiro foge da Bolsa e agrava crise por juro alto e quebradeira de empresas
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O juro brasileiro, próximo de 10% ao ano, pressiona empresas, especialmente no varejo, que enfrentam altos custos de financiamento e um cenário de endividamento crescente das famílias. A incerteza política em relação às eleições e a falta de medidas fiscais para conter a dívida pública aumentam os temores de custos econômicos elevados.
A saída de investidores estrangeiros da B3, que viu um saldo de R$ 69 bilhões em ações cair para R$ 15,3 bilhões, reflete a deterioração da confiança no Brasil. A pressão geopolítica e a alta do petróleo também contribuem para a inflação global e a elevação das taxas de juros.
Dados recentes indicam um desaquecimento da economia, com previsões de crescimento do PIB reduzidas e uma queda na intenção de consumo das famílias. As expectativas para o IPCA e a Selic permanecem elevadas, com projeções de crescimento modesto para os próximos anos.
* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed
O juro brasileiro flerta com 10% ao ano acima da inflação no curto prazo e quase 8% a perder de vista na remuneração de títulos públicos – combustível potente para acelerar a “quebradeira” de empresas no setor de varejo, mas não só elas, que tropeçam num custo de dinheiro pornográfico, no endividamento ascendente das famílias, no crédito mais seletivo e na concorrência com plataformas de comércio digital e bets.
Somam-se ao cenário de processos de reestruturação e recuperação judicial e extrajudicial de empresas, uma inquietação com as eleições que alimenta a percepção de que, seja quem for o vencedor à Presidência, ações para conter o avanço da dívida pública serão de difícil adoção.
Ideia a reforçar o temor de que um aumento de custos na economia será inevitável ou agravado por deterioração de expectativas, ante a falta de um torniquete fiscal ou de disposição política para aplicá-lo. Além do risco de uma postura voluntarista do próximo governo em relação ao Banco Central para viabilizar, na marra, a queda da taxa de juro.
O ambiente econômico desperta, nesse momento, um sentimento negativo que até pouco tempo atrás era camuflado, sobretudo no mercado financeiro, pela oferta maciça de capital externo voltado principalmente para as ações no embalo de um “Brasil barato” ou “queridinho” de investidores, ante seus pares.
O saldo aplicado por estrangeiros em ações listadas na B3 esticou a R$ 69 bilhões acumulados no ano até meados de abril, desabando, contudo, a R$ 13,7 bilhões até 19 de agosto. Resultando, portanto, numa perda brutal de R$ 55,3 bilhões em quatro meses.
A debandada põe em xeque o juro brasileiro como alavanca para captação de recursos externos. Capacidade que parece estar se exaurindo por incertezas domésticas, sobretudo fiscais, expectativas quanto à política econômica do próximo governo e pelo instável cenário internacional por pressão geopolítica derivada do Oriente Médio.
Petróleo acima de US$ 90 o barril Brent – após ser cotado no patamar de US$ 70 em julho – puxa a inflação global, convida bancos centrais a elevarem os juros, abate crescimento, distorce a precificação de ativos e, pior, encarece o financiamento de déficits fiscais e orçamentários das grandes economias que já voltaram a pagar as maiores taxas em décadas.
Sacudido nos últimos dias por vendas de dívidas soberanas, o mercado internacional ganhou um refresco – momentâneo, porém – com a decisão do Tesouro dos EUA de dobrar a recompra de títulos a US$ 4 bilhões por operação em mercado entre 9 de setembro e 4 de novembro. A iniciativa, se estendida no tempo e no valor, pode até desafogar instituições. A ver.
De bate-pronto, o aceno contribuiu, de fato, para reduzir o juro mais longo e o preço do dólar. Mas, 24h depois, a dupla de ativos voltou a subir. E esse efeito fugaz é justificado porque a decisão do Tesouro evidenciou a necessidade de conter a escalada do custo de financiamento da dívida do país que, em 12 meses, exigiu US$ 1,4 trilhão para pagamento de juro. Cifra que pode chegar a R$ 1,7 trilhão em dois anos.
A pressão sobre os Treasuries, compartilhada com dívidas europeias, mina a “vantagem” do Brasil junto a investidores globais que buscam alternativas – não mais atraentes, mas mais seguras – transformando a B3 em vitrine do desmonte de posições de estrangeiros ressabiados, inclusive, com o vigor da economia brasileira.
Não alivia, a sucessão de dados de atividade a apontar, a cada divulgação, que a economia desaquece, ainda que confirmando expectativa que se arrasta há meses, mas em nada positiva para o Presidente que estará no “timão” do Planalto a partir de 2027.
“Pé atrás” com trabalho afeta consumo
A duas semanas do anúncio do PIB do segundo trimestre pelo IBGE, em 1º de setembro, a revisão de cenários macroeconômicos por grandes bancos reitera que o crescimento cairá à metade do alcançado de janeiro a março.
Nenhuma surpresa. Ao contrário, “bola cantada” por gigantes. Banco do Brasil, Itaú, Bradesco, Santander, BTG Pactual e XP apontam para avanço trimestral entre 0,4% e 0,5%, ante 1,1% do período anterior. Duas referências de crescimento disponíveis – IBC-Br (Banco Central) e Monitor do PIB (Instituto Brasileiro de Economia da FGV) – corroboram a avaliação.
O IBC-Br caiu 0,6% em junho e avançou 0,2% no segundo trimestre. Na comparação interanual, subiu 1,5%. O Monitor do PIB recuou 1,1% em junho. E, no segundo trimestre, ganhou 0,3% com variação de 1,7%, ante igual período de 2025.
As sondagens foram antecedidas por queda de 1,8% da produção industrial; alta de vendas do varejo restrito de 0,5% e queda de 1% do varejo ampliado que inclui peças automotivas e materiais de construção; e estabilidade em serviços. Os dados são de junho.
“Prova dos Nove” das expectativas em julho poderá ser tirada nos próximos dias com a divulgação de sondagens de confiança do consumidor, construção civil, indústria, comércio e serviços monitoradas pela FGV.
Em agosto, o mar não está para peixe, mostra pesquisa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). A intenção de consumo das famílias recuou 0,6% no mês – retração liderada pela forte deterioração da percepção sobre o futuro do mercado de trabalho.
Entre os componentes da sondagem, a Perspectiva Profissional teve o maior recuo do mês (-1,9%) e registrou baixa de 9,9% frente ao mesmo período do ano passado. Ilusão supor que a quebradeira de empresas não é indigesta à população.
Também em agosto, sofreram mínimas alterações os cenários atualizados pelas instituições acima citadas que preveem expansão do PIB entre 1,8% e 2,1% em 2026 e 1% a 1,7%, em 2027. Para o IPCA, os prognósticos vão de 4,9% a 5,2% e 4% a 4,5%, respectivamente. A Selic é projetada em 13,75% e/ou 14% em dezembro. Para o ano que vem, as estimativas variam de 11% a 12,75%.