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Richard Avedon e a fotografia que revela o invisível

Por Redação 23 de maio de 2026 6 min de leitura


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O documentário “Avedon”, apresentado no Festival de Cannes, explora a vida e o legado do fotógrafo Richard Avedon, conhecido por revolucionar a fotografia de moda e capturar a essência das celebridades, como Marilyn Monroe.

Avedon introduziu movimento e espontaneidade em suas imagens, preferindo ambientes dinâmicos em vez de estúdios. Sua famosa fotografia “Dovima com Elefantes” de 1955 solidificou a fotografia de moda como uma forma de arte.

O filme, dirigido por Ron Howard, utiliza o acervo pessoal de Avedon, incluindo imagens inéditas e entrevistas. Avedon também abordou temas sociais e políticos, retratando figuras icônicas do século XX.

Seu retrato melancólico de Monroe, feito em 1957, revela a complexidade por trás da imagem pública.

O fotógrafo buscava capturar a realidade oculta, contrastando a imagem pública com a verdadeira essência dos fotografados, como exemplificado em sua interação com o Duque e a Duquesa de Windsor.

* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed

Cannes — O que faz uma fotografia entrar para a história? “É sempre a mente por trás da câmera”, costumava responder Richard Avedon (1923-2004). Celebrado no documentário Avedon, o americano ficou conhecido por revolucionar a fotografia de moda e “desmascarar” as celebridades capturadas por suas lentes, como Marilyn Monroe, com um semblante triste.

Uma das atrações desta 79ª edição do Festival de Cannes, que será encerrada neste sábado, 23 de maio, o filme repassa quem foi e quais as principais contribuições do fotógrafo, um dos mais influentes do século 20. Quem explora o legado deixado por Avedon é o cineasta Ron Howard, vencedor de dois prêmios Oscar: de melhor filme (como produtor) e melhor diretor, por Uma Mente Brilhante (2001).

Nascido em Nova York, Avedon marcou o mundo da moda, introduzindo movimento e espontaneidade, além de contar uma história com cada fotografia — diferentemente das imagens estáticas e monótonas feitas em estúdios. Para escapar da representação mais rígida e sem vida, ele preferia levar as modelos às ruas, às boates, às praias e a outros locais incomuns para a época.

Uma de suas imagens fashion mais emblemáticas, firmando a fotografia de moda como expressão artística, foi Dovima com Elefantes, realizada em 1955 e publicada originalmente na revista Harper’s Bazaar. Aqui a famosa modelo Dovima, usando um vestido de noite da Dior, posa com dois elefantes, fazendo a sua figura longilínea e elegante contrastar com a forma monumental dos animais.

“Fotografia é o casamento da imaginação e da realidade da situação”, diz Avedon, em um dos depoimentos de arquivo no documentário. Projetado na mostra Séances Spéciales de Cannes, fora de competição, o filme é construído a partir do acervo pessoal do fotógrafo, incluindo imagens inéditas, filmagens de bastidores e entrevistas com personalidades, colaboradores e herdeiros, como o filho, John Avedon.

“Antes das redes sociais, nós éramos influenciados por revistas. Entendíamos como cultura visual o que víamos nas páginas da Harper’s Bazaar e da Vogue, por exemplo. E o responsável por elas era Richard Avedon”, afirma James Martin, diretor executivo da The Richard Avedon Foundation.

Além de definir, com o seu olhar, o que era uma imagem de estilo, Avedon também ajudou a estabelecer os rumos da fotografia moderna. Ele realizou trabalhos sociais e políticos, fotografando sobreviventes deformados na Guerra do Vietnã e pacientes de hospitais psiquiátricos nos Estados Unidos.

Diante de sua câmera passaram as personalidades mais importantes do século XX, com destaque para os políticos e as celebridades com as expressões mais inesperadas. Entre outros, ele fotografou Buster Keaton, Andy Warhol, Brigitte Bardot, Samuel Beckett, J. Robert Oppenheimer, Henry Kissinger, Bob Dylan, Chet Baker, George Bush, Truman Capote e Janis Joplin.

De 1955, “Dovima com Elefantes” ajudou a firma a fotografia de moda como arte (Foto: avedonfoundation.org)

Em 6 de maio de 1957, depois de um dia inteiro de fotos para o lançamento do filme “O Príncipe Encantado”, Avedon flagrou Marilyn Monroe para além das aparências (Foto: avedonfoundation.org)

A “expressão quase de horror” do duque e da duquesa de Windsor foi conseguida depois de Avedon lhes contar uma pequena mentira (Foto: avedonfoundation.org)

Avedon também realizou trabalhos sociais e políticos, fotografando sobreviventes deformados na Guerra do Vietnã e pacientes de hospitais psiquiátricos nos Estados Unidos (Foto: Divulgação)

O retrato de Monroe melancólica, feito em 1957, é um dos mais emblemáticos, no sentido de “desmascarar” o fotografado. O portrait foi produzido para a divulgação do filme O Príncipe Encantado. Mas é como se Avedon tivesse capturado aqui o que ainda era invisível na vida de estrela. Quase cinco anos depois, ela morreria precoce e tragicamente, aos 36 anos, por overdose de remédios.

“Nas imagens oficiais, você vê Marilyn dançando, alegre”, conta Martin, lembrando que havia muito champanhe e música na sessão de fotos. “Mas, no final do dia, quando todos já estavam exaustos, Avedon se aproximou dela e fez a fotografia que queria. E o que você vê é Norma Jeane, a pessoa por trás do mito.”

Adam Gopnik, um dos escritores da revista The New Yorker, para a qual Avedon também fotografou, comenta que “nada era acidental” no seu trabalho. “Marilyn deixou de ser Marilyn por apenas 15 segundos. Até porque era um esforço ser Marilyn. E Avedon viu isso, o que o tocou porque era exatamente o tipo de contradição fotográfica que ele amava”, diz Gopnik, em seu depoimento.

“Todos nós queremos parecer bem na fotografia, o que nos faz, consequentemente, sentir bem na nossa pele. Mas não era isso o que Avedon procurava”, conta o filho, John Avedon. “Ele buscava algo mais profundo, um momento explosivo, algo na linha imagem pública versus realidade. Ele foi obcecado por isso a vida toda.”

O próprio fotógrafo ilustra essa intenção em um de seus testemunhos de arquivo. No caso, recordando o retrato que fez do Duque e da Duquesa de Windsor, em um quarto de hotel, em Nova York, em 1957. Como o casal sempre insistia em sorrir nas fotos, vendendo a imagem feliz, Avedon precisou usar de um subterfúgio.

“Como eu não conseguia romper essa barreira de imagem pública, fiquei desesperado. Como sabia que eles adoravam cachorros, disse que eu tinha me atrasado porque o meu táxi tinha atropelado um cão. Só assim o sorriso deu lugar à expressão quase de horror”, recorda o fotógrafo, lembrando que a dupla não gostou do resultado, obviamente. E Avedon completa, rindo: “Mas é uma fotografia comovente, considerando como eles eram fascistas e antissemitas”.



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Redação

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