Leilão de baterias começa a sair do papel. E o CEO da Axia ouve com atenção
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O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, anunciou que a portaria para o leilão de reserva de energia por meio de baterias será publicada em até 15 dias. O leilão, que estava previsto para abril, foi adiado, mas ocorrerá ainda este ano.
O anúncio foi feito durante painel do Fórum Esfera Brasil, no Guarujá, litoral de São Paulo. Quem acompanhou com atenção foi Ivan Monteiro, CEO da Axia, que estava na plateia e participou do painel seguiu.
A Axia, ex-Eletrobrás, planeja investir R$ 14 bilhões em projetos de energia até 2027. Há uma expectativa de que uma parte destes recursos seja destinada para o certame.
A demanda por projetos pode chegar a cinco gigawatts (GW), e a disputa deve ocorrer no segundo semestre, durante as eleições. Silveira afirmou que as eleições não afetarão o plano energético, apesar das críticas do setor produtivo sobre a falta de informações.
O ministro destacou a discussão sobre garantir maior participação de empresas brasileiras no leilão. Segundo ele, não haverá subsídios governamentais nos projetos.
* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, anunciou que a portaria para a realização do leilão de reserva de energia, por meio de bateria elétrica será publicada em até 15 dias. Havia perspectiva de que o certame aconteceria até o fim de abril, mas o projeto perdeu velocidade em Brasília, principalmente com o último megaleilão de energia a partir de termelétricas.
A revelação sobre o cronograma foi feita durante painel no Fórum Esfera Brasil, realizado no Guarujá, no litoral de São Paulo, na sexta-feira, 22 de maio.
“Vai acontecer. O leilão, de fato, ocorre ainda neste ano. Já separamos o montante para fazer esse certame”, afirmou Silveira, sem revelar qual será o custo da medida.
Neste contexto, a gigante do setor elétrico Axia (ex-Eletrobrás) tem dado sinais de que pretende destinar parte dos investimentos previstos até 2027, no valor de R$ 14 bilhões, em projetos deste novo segmento.
O CEO Ivan Monteiro, que estava na plateia, ouviu com atenção o anúncio de Silveira. O executivo participou de um painel logo na sequência, no evento promovido pelo Esfera Brasil, que tratou justamente do futuro da matriz energética brasileira.
Consultado pelo NeoFeed sobre a revelação feita pelo ministro de que o leilão de baterias finalmente começa a andar, logo após deixar o palco do evento no Guarujá, Monteiro se recusou a comentar. Mas prestou bastante atenção.
Até faz sentido o silêncio – pelo menos momentâneo – do CEO da Axia. Em sua fala, o ministro de Minas e Energia contou que a discussão agora é quanto à possibilidade de estabelecer garantias para uma maior participação das empresas brasileiras na disputa. Na explicação dele, há discussão em torno de um percentual destinado apenas para as companhias locais.
Ainda que Axia, Engie, Isa Energia e outros players importantes já tenham, de alguma forma, demonstrado interesse em conhecer mais detalhes do edital, e que agora o ministro revela estar a um passo de se tornar público, há expectativa pela enxurrada da presença de gigantes globais de baterias, como Tesla, BYD e Huawei. A catarinense Weg também está no páreo.
“Estamos debatendo esta questão. Tenho tratado disso com o presidente e com o Ministério do Desenvolvimento Econômico a questão do conteúdo local, que é algo fundamental. Para nós, é fundamental fortalecer a indústria local”, contou o ministro. “Vamos ver até quanto podemos colocar para viabilizar o leilão.”
Silveira também afirmou que, outro tema presente durante a discussão das regras do leilão de bateria, foi em relação à necessidade ou não de repasses financeiros, por parte do governo, para garantir os projetos que virão a ser desenvolvidos.
“No mundo, este tipo de leilão só deu certo com subsídio governamental. E nós não temos esse subsídio no Brasil. Precisou ser gerado um debate muito profundo para que o leilão pudesse ser lançado com segurança”, explicou o ministro.
Recentemente, a suíça ABB também afirmou ao NeoFeed que está observando com atenção o andamento do leilão, já que a empresa pretende atuar como fornecedor das companhias de energia que vencerem a disputa.
“Indiretamente, a ABB vai participar, oferecendo infraestrutura para as empresas que poderão estar nesse processo. É uma boa maneira de aproveitar a energia que está sendo desperdiçada”, disse, na ocasião, Luciano Nassif, CEO da ABB no Brasil.
Segundo o ministro de Minas e Energia, agora a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), vinculada à Pasta, vai definir qual o tamanho do volume ofertado, mas o mercado enxerga que a demanda de projetos possa chegar a pelo menos cinco gigawatts (GW).
A questão é que, pelo cronograma estabelecido por Silveira, a disputa em si, em um pregão, deve ocorrer no segundo semestre, praticamente no auge do calor da disputa presidencial, que será em outubro. Para Silveira, no entanto, não há risco de contaminação do plano energético com a disputa eleitoral.
“As eleições não podem entrar neste tema. Quem politiza questões técnicas é a oposição. A gente precisa entregar resultado”, diz o ministro, com um tom de politização na resposta.
Nos últimos meses, o setor produtivo iniciou um ciclo de críticas justamente pela falta de informações, até aqui, sobre a disputa no setor elétrico.
Em março, durante inauguração do parque solar Barro Alto, em Goiás, o CEO da Newave Energia – joint-venture entre Gerdau e Newave Capital -, Edgard Corrochano, reclamou da lentidão.
“Há vários benefícios em ter um projeto de bateria dentro de um parque solar. Estamos estudando, com projeto bem avançado. Nossa ideia é de gerar cerca de 200 MW de energia instalada. E vamos investir até R$ 2 bilhões para isso”, contou ao NeoFeed, na ocasião.