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Ex-CEO da Alpargatas aposta em “Mounjaro” para os cães e mira R$ 1 bilhão

Por Redação 10 de junho de 2026 6 min de leitura


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Roberto Funari, ex-CEO da Alpargatas, que lançou há dez meses a marca Wigow, de suplementos pet, planeja criar um mercado de emagrecimento para cães no Brasil, com uma nova linha de perda de peso a ser lançada em agosto.

A fórmula, aprovada pelo Ministério da Agricultura, utiliza proteínas de salmão, fibras e sais minerais, visando atender a 40% dos 66 milhões de cães no país que estão com sobrepeso.

Funari estima que a linha pode gerar R$ 1 bilhão em faturamento em três anos, representando 15% do mercado de suplementos caninos, que deve alcançar R$ 7 bilhões até 2029.

A Wigow, que atualmente possui cinco SKUs, planeja expandir para 20 até o final do ano, com um investimento de R$ 30 milhões. A empresa também investe em canais digitais e influenciadores para distribuição.

O Brasil é um dos maiores mercados pet do mundo, com um setor avaliado em R$ 75 bilhões.

* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed

Dez meses após entrar oficialmente no mercado pet, com a criação da holding Viepet, o empresário Roberto Funari, que foi CEO da Alpargatas entre 2019 e 2023, aposta agora no plano de “emagrecer” os cachorros brasileiros.

O projeto é lançar, em agosto, uma nova linha da marca Wigow, que seria uma espécie de “Mounjaro” para os cães, mas em formato de snacks. Ao contrário das canetas emagrecedoras, que são análogas ao GLP-1 e à base de semaglutida ou tirzepatida, neste caso os “princípios-ativos” são proteínas de salmão, fibras e sais minerais.

O racional está no fato de que a obesidade não é um problema exclusivo de humanos. Dos cerca de 66 milhões de cachorros hoje no Brasil, cerca de 40% estão com sobrepeso e obeso, segundo estudo da Banfield Pet Hospital. Em uma década, o volume de pets acima do peso cresceu 108%.

“Não existe um produto para controle de peso no Brasil de cães. E muitos tutores sequer sabem. Há uma mudança de consciência em relação ao controle de saciedade das pessoas. Então, é importante que os donos possam ter essa visão em relação aos cães”, diz Roberto Funari, fundador da Viepet, em entrevista ao NeoFeed.

A fórmula, segundo o empresário, foi desenvolvida pela companhia, e contou com aprovação do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Diferentemente da caneta, que é usada uma vez por semana, neste caso será entre uma e quatro doses por dia, de acordo com o tamanho.

A linha de emagrecimento vai contribuir para que a marca alcance, em três anos, o faturamento de R$ 1 bilhão, segundo Funari, o que corresponde a cerca de 15% do potencial mercado de novos suplementos caninos no país, que deve alcançar R$ 7 bilhões até 2029.

Hoje, a Wigow tem cinco SKUs (tipos de produtos) no varejo pet brasileiro. A meta é, até o fim do ano, alcançar 20 novos itens, incluindo o de controle de peso, que Funari acredita ter potencial para alcançar pelo menos 30% do total da companhia.

“Traçamos uma rota de ampliar o portfólio para cães de forma expressiva até o fim do ano. Nos Estados Unidos, há marcas que têm até 100 SKUs. Vamos quadruplicar o volume que oferecemos hoje ao mercado”, explica o fundador da empresa. O pacote de investimentos no desenvolvimento dos produtos é de cerca de R$ 30 milhões.

Entre as novas linhas já definidas para serem lançadas no início do segundo semestre estão suplementos para prevenção cardiológica, também inéditos no mercado, um à base de ômega e um produto para proteção dentária dos animais.

Roberto Funari, fundador da Viepet, controladora da Wigow

A fabricação dos produtos da Wigow é feita no Brasil, por meio de uma fábrica parceira. Ele não revela o volume, mas afirma que tem capacidade de aumentar em 10 vezes a quantidade vendida atualmente.

A tendência, na avaliação de Funari, é que, até o ano que vem, a companhia alcance um valor de mercado de R$ 200 milhões. Por enquanto, o capex vem a partir de capital próprio. E, neste momento, não há intenção de abrir rodada de captação.

“Por ora, não estamos precisando. É um negócio extremamente saudável, que começou com um investimento de R$ 6 milhões. Estamos construindo este mercado, que vai crescer demais”, afirma.

Segundo o empresário, a falta de atenção à política de prevenção na saúde do pet tem sido um fator fundamental para explicar a ausência de um mercado mais estruturado, além de produtos veterinários, brinquedos e rações.

“O mercado brasileiro tem uma grande importância do ponto de vista de saúde farmacêutica, que engloba todos os animais. Mas não há uma cultura de prevenção, que ainda está começando no Brasil”, explica Funari.

E, para garantir a capilaridade de distribuição, a Wigow vai avançar em canais digitais, especialmente em influenciadores. A companhia acabou de criar um canal no TikTok Shop, e o resultado, segundo o empresário, já tem sido expressivo.

“Hoje, 40% da nossa receita vem dos creators, nas nossas plataformas. Por mês, fazemos cerca de mil conteúdos criativos nas redes sociais. Desde o início estamos na Petz Cobasi, em 60 lojas físicas e no digital, e acabamos de entrar na plataforma digital da Petlove”, afirma.

A Wigow também tem uma loja virtual no Mercado Livre. Hoje, o principal canal de vendas da companhia é diretamente no seu próprio site. “Como essa é uma categoria de recompra, de recorrência, o canal mais procurado passa a ser o digital.” Por enquanto, não há plano de lançar o produto emagrecedor para gatos.

No volume total do mercado pet, o Brasil é uma potência mundial. Dados da Associação Brasileira das Empresas do setor de Animais de Estimação (Abempet) mostram que o mercado pet gira em torno de R$ 75 bilhões.

A venda de alimentos industrializados para os animais de estimação soma R$ 41 bilhões (54,1% do total do setor). Produtos veterinários somam R$ 8 bilhões, e o setor de serviços, como banho e tosa, é de R$ 7,7 bilhões.

Ao todo, o Brasil tem a terceira maior população pet do mundo, com 160 milhões de animais de estimação, atrás apenas de Estados Unidos e China. Além dos 66 milhões de cães, vivem no país 30 milhões de gatos, 40 milhões de aves e 20 milhões de peixes ornamentais.



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Redação

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