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Calendário eleitoral impõe cautela em previsões para Selic num cenário de “aperto” global

Por Redação 12 de junho de 2026 6 min de leitura


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O Copom, ao chegar à metade de sua agenda de 2026, enfrenta a possibilidade de manter a Selic em 14,5% ou reduzi-la para 14,25%. A elevação da taxa é considerada improvável, especialmente com a proximidade das eleições presidenciais, que podem enfraquecer o Banco Central, já com diretores em falta.

Apesar da Selic alta, a inflação persiste e a economia não se recupera, transferindo renda para os mais ricos e aumentando a dívida pública. A expectativa é de que o Copom continue a “calibrar” a política monetária, com um possível corte na Selic, enquanto analistas preveem desaceleração econômica no segundo semestre.

Indicadores de maio mostraram queda nos PMI, sinalizando restrições na criação de empregos. A cautela é necessária, especialmente com o calendário eleitoral, que pode influenciar decisões do BC. A estabilidade da Selic em setembro é vista como prudente, considerando a experiência das eleições de 2022, quando a Selic foi mantida em 13,75% por um ano.

* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed

O Comitê de Política Monetária (Copom) tem oito reuniões por ano. Na quarta-feira, 17 de junho, ao anunciar a próxima Selic o colegiado chegará à metade da agenda de 2026. Estarão pendentes os encontros de agosto, setembro, novembro e dezembro.

Economistas e especialistas em instrumentos derivativos de juros na B3 estão inclinados à aposta de manutenção da Selic em 14,5% ou, se tanto, queda a 14,25%. Resultado de mais um corte de 0,25 ponto percentual, o terceiro do ano. Porém, há quem projete elevação da taxa – ação possível, mas improvável.

Aumentar a Selic com o País a caminho de mais uma acirrada eleição presidencial poderá debilitar o já desfalcado Banco Central que, desde janeiro, trabalha com dois diretores a menos porque possíveis sucessores não foram indicados pelo presidente Lula e, portanto, nem foram aprovados pelo Senado – instância máxima a chancelar a ocupação desses postos.

O quadro é delicado. Até porque, o juro no maior patamar em duas décadas não conseguiu derrubar a inflação e tampouco a economia, mas tem consequências: transfere renda a endinheirados que transitam pela Faria Lima, eleva despesas com a trilionária dívida pública e atazana devedores justificando, inclusive, a versão renovada do Desenrola.

Se o Copom seguir a sinalização de sua última reunião – prosseguir com a “calibração” da política monetária – mais um corte na Selic poderá ser confirmado. E tendo como pano de fundo a avaliação de renomados analistas de que a atividade vai desacelerar no segundo semestre. Sustenta essa ideia, a percepção de que o aperto monetário ainda produzirá efeitos com o empenho do BC em buscar a meta de inflação de 3% e não o teto de 4,5%.

Ganha fôlego a estimativa de alta do PIB em 2% este ano, ante 2,3% do ano passado. Indicadores de abril – indústria e serviços fortes – levaram à revisão das projeções. Entretanto, dados de maio coletados por institutos, que não o IBGE, enfraqueceram. Caso dos Índices de Gerentes de Compra (PMI) monitorados pela S&P Global.

Em maio, o PMI Industrial caiu de 52,6, melhor resultado em 14 meses, para 49,1 pontos, o PMI Serviços passou de 52,30 para 50,4 pontos e o PMI Composto de 52,40 para 49,5 pontos – 50 pontos é a fronteira entre expansão e retração. Segundo a S&P, a queda de pedidos de bens e serviços restringiu a criação de empregos que se expandiu no menor ritmo em quatro meses, enquanto as pressões de custo atingiram os maiores níveis em quatro anos.

Galípolo sem firula

De todo modo, apostas em ajustes da Selic exigem cautela porque, entra ano e sai ano, o Brasil paga uma das taxas de juros mais elevadas do mundo e com resultados duvidosos. Não por ineficiência do BC. Gabriel Galípolo, sem firula, já indicou que a política monetária nada contra a corrente da expansão fiscal e de subsídios – binômio que enfraquece a política da instituição.

Na semana em que Japão, Austrália, Inglaterra e Suíça definem taxas básicas com tendência de alta por pressões inflacionárias decorrentes da escalada de preços do petróleo, graças ao conflito EUA e Irã, o Federal Reserve, agora sob o comando de Kevin Warsh indicado por Donald Trump, também discute sua taxa na quarta, 17.

O maior BC do mundo poderá sinalizar aumento ainda este ano, como prevê o mercado futuro de títulos do Tesouro americano. Mas, ainda que confirmada, essa decisão não necessariamente influenciará o BC do Brasil neste momento, inclusive, porque a instituição estará exposta a uma “nova” variável para decidir os próximos passos – o calendário eleitoral – que recomenda conter marola no mercado.

Nessa linha, brota a expectativa de que o BC deverá guardar distância das eleições com 1º turno de votação em 4 de outubro e eventual 2º turno em 25 de outubro. Evitar correção da Selic em datas próximas ao pleito é prudente. Uma forma, inclusive, de evitar ilações sobre a decisões do Comitê, seja qual for, que pode eventualmente sugerir preferência pelo candidato A ou B ao Planalto.

E, por tabela, também evitar ilações sobre a manutenção (ou não) da política econômica vigente que falha teimosamente na contenção do crescimento da dívida pública que, em abril, ultrapassou 80% do PIB e avança como se não houvesse amanhã.

Trajetória que reserva para 2027 uma pré-anunciada rebordosa fiscal turbinada por “pautas-bomba” aprovadas a toque de caixa por um Congresso também apressado por eleições – a presidencial e a de fevereiro de 2027, quando estarão em jogo as presidências da  Câmara e do Senado.

Esse pressuposto sugere que a estabilidade da Selic em setembro é bem-vinda. Nas últimas eleições gerais, em 2022, quando o então candidato Luiz Inácio Lula da Silva foi eleito por 50,90% dos votos válidos, contra 49,10% de Jair Bolsonaro, prevaleceu cautela do BC.

Naquele ano, a última ação do Copom ocorreu em agosto, quando a Selic alcançou 13,75%, taxa sustentada por um ano inteiro, e que consagrou o Brasil como o maior pagador de juro real do mundo, com 8,16%. Nível atual de remuneração de títulos do Tesouro NTN-B indexados à inflação. Prova de o Brasil andou e não saiu do lugar.



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Redação

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