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Europa se prepara para crise energética com “pouco gás” no inverno

Por Redação 29 de junho de 2026 6 min de leitura


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A guerra entre EUA e Irã pode ter chegado ao fim, mas a crise energética gerada ainda persiste. Um relatório da Wood Mackenzie indica que as instalações de armazenamento de gás na UE devem encerrar a temporada de reabastecimento com apenas 76% da capacidade, o nível mais baixo em 15 anos, o que pode elevar os preços do gás para empresas e famílias neste inverno. Após um inverno rigoroso, a UE luta para reconstruir suas reservas, que atualmente estão em 48,29%.

O aumento da demanda por eletricidade devido a temperaturas elevadas complicará ainda mais o armazenamento de gás. Embora os preços do gás tenham se estabilizado, a escassez é agravada pela interrupção de embarques pelo Estreito de Ormuz e pelo fechamento do gasoduto que transporta gás russo pela Ucrânia. A UE planeja eliminar gradualmente as importações de gás russo, o que pode intensificar a crise no inverno.

* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed

A guerra entre Estados Unidos e Irã pode ter chegado ao fim, com o acordo frágil entre os dois países, mas a crise energética que o conflito gerou na economia global ainda está longe de ser encerrada.

Apesar da retomada de transporte de navios cargueiros pelo Estreito de Ormuz, antes bloqueado pelo Irã – por onde passam 20% dos navios-tanque e cerca de um terço de embarcações que levam Gás Natural Liquefeito (GNL) para diferentes destinos no mundo -, um relatório da consultoria Wood Mackenzie divulgado pelo jornal britânico Financial Times na segunda-feira, 29 de junho, soou um alerta.

O estudo mostra que as instalações de armazenamento na União Europeia (UE) deverão encerrar a temporada de reabastecimento de gás natural, que normalmente ocorre entre abril e outubro, com apenas 76% da sua capacidade.

Se essa estimativa for confirmada, os níveis de armazenamento de gás no continente europeu até o início do inverno, no Hemisfério Norte, tendem a ser os mais baixos em pelo menos 15 anos. Isso significa que os preços de gás podem aumentar para empresas e famílias neste inverno.

Após um inverno rigoroso que deixou as instalações de armazenamento com apenas 28% da capacidade no início da temporada, os países da UE estão lutando para reconstruir suas reservas até os níveis históricos.

Segundo dados da Gas Infrastructure Europe (GIE), o nível médio atual de ocupação dos reservatórios é de 48,29%. Junho, tradicionalmente o mês de maior volume de enchimento de instalações de armazenamento subterrâneo no setor energético europeu, não atingiu a eficiência prevista este ano.

Os responsáveis do setor observam que as temperaturas acima do normal esperadas para julho e agosto aumentarão o consumo de eletricidade para refrigeração, tornando ainda mais difícil direcionar o gás para o armazenamento.

Os preços do gás na Europa dispararam após os ataques conjuntos dos EUA e de Israel contra o Irã no final de fevereiro, mas têm se mantido relativamente estáveis recentemente, mesmo antes do acordo de paz provisório assinado pelos EUA e pelo Irã no início deste mês.

Isso resultou em um problema diferente, já que o preço nos principais centros de distribuição de gás europeus caiu a um nível muito baixo para atrair cargas de GNL, normalmente provenientes dos EUA.

Os preços de referência do gás natural na Europa estão cotados a cerca de 40 euros por megawatt-hora (MWh), um valor pouco superior ao registrado antes do início da guerra entre os EUA e o Irã, em 28 de fevereiro, e dentro da faixa normal para esta época do ano.

Mesmo com a alta nos preços nas primeiras semanas da guerra, eles permaneceram bem abaixo do pico de 342 euros/MWh atingido após a invasão da Ucrânia pela Rússia, em 2022.

A situação dos estoques na Europa pode mudar se uma onda de oferta de GNL atingir os mercados globais. Quase imediatamente após a assinatura do acordo de paz preliminar, navios metaneiros do Catar, vazios, começaram a retornar ao Golfo.

Tom Marzec-Manser, diretor de gás e GNL para a Europa na Wood Mackenzie, afirmou que, embora os preços do gás possam cair ainda mais nos próximos meses, com o aumento do fluxo de GNL saindo do Golfo, ele prevê que “os preços voltarão a subir com a chegada do inverno, o que criará riscos, principalmente em um cenário de clima frio” no início de 2027.

Escassez

Uma série de fatores explica a escassez de gás natural que a Europa enfrenta. A interrupção dos embarques de GNL pelo Estreito de Ormuz devido às hostilidades entre os EUA e o Irã, combinada com o declínio da produção no Catar e nos Emirados Árabes Unidos (EAU), restringiu a oferta global.

Além disso, por decisão do governo da Ucrânia, o gasoduto de trânsito que transporta gás natural russo para a Europa através do território ucraniano foi completamente fechado. A UE agora precisa garantir o fornecimento de gás não apenas para o seu próprio consumo interno, mas também para abastecer as instalações na Ucrânia.

Na tentativa de contornar essa interrupção no fornecimento de gás natural por gasoduto da gigante de energia russa Gazprom, os países da UE compraram 109 milhões de toneladas (aproximadamente 142 bilhões de metros cúbicos) de GNL no ano passado, o que representa um aumento de 28% em relação ao ano anterior.

No entanto, as importações de GNL em junho caíram aproximadamente 17% em comparação com o mesmo mês do ano passado, atingindo 7,8 milhões de toneladas — o nível mais baixo em 10 meses.

Outro fator crítico que restringe a oferta no mercado europeu é a estratégia da UE de eliminar gradualmente os produtos energéticos russos.

Atualmente, a Rússia fornece 14% do total das importações europeias de GNL. De acordo com um plano de embargo faseado aprovado pelo Conselho Europeu, as importações de GNL da Rússia serão completamente proibidas a partir de 1º de janeiro de 2027.

Já a proibição da importação de gás natural russo por gasoduto está prevista para entrar em vigor em 30 de setembro de 2027. Embora esteja previsto um período de transição para os contratos existentes, os Estados-Membros têm a obrigação de verificar o país de origem de todo o gás natural importado.

Com uma capacidade total de armazenamento ativo de gás de 109 bilhões de metros cúbicos, a Europa mantém sua posição como a maior importadora no mercado global de GNL. Mesmo assim, corre o risco de enfrentar uma crise de gás no inverno.



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Redação

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