Guerra das canetas emagrecedoras faz Itaú BBA “emagrecer” projeções da RD Saúde
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O Itaú BBA reduziu o preço-alvo das ações da RD Saúde de R$ 27 para R$ 20, uma queda de 26%, devido ao aumento do mercado informal de canetas emagrecedoras e à redução das margens de lucro.
As ações da companhia caíram 40% desde fevereiro, refletindo uma desvalorização de 27,5% em 2026.
As vendas do Mounjaro se mantêm estáveis, enquanto a perda de patente do Ozempic e Wegovy trouxe produtos mais baratos ao mercado, afetando as margens. O lucro bruto por caneta caiu para cerca de 20%, abaixo das expectativas.
Apesar disso, o Itaú prevê uma melhora gradual das margens com o aumento da concorrência e a fiscalização mais rigorosa da Anvisa, que pode reduzir o mercado informal. A
RD Saúde deve se beneficiar, com o GLP-1 representando 12% da receita em 2026. O mercado de canetas emagrecedoras deve alcançar R$ 15,6 bilhões em 2026.
O valor de mercado da RD Saúde é de R$ 30 bilhões.
* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed
O aumento da presença do mercado informal das canetas emagrecedoras e a redução das margens por produto fizeram com que o Itaú BBA reduzisse o preço-alvo das ações da RD Saúde, companhia dona das redes Raia e Drogasil.
Segundo relatório divulgado pelo banco nesta sexta-feira, 3 de julho, o preço-alvo para o fim de 2026 caiu de R$ 27 para R$ 20, uma redução de 26%. Ainda assim, os analistas mantiveram a recomendação como neutra.
O impacto deste cenário, segundo o documento, já está presente no resultado das ações dos últimos meses. O Itaú aponta a queda de 40% nos papéis da companhia desde fevereiro na B3. No acumulado de 2026, a desvalorização é de 27,5%.
Dois fatores sobre o mercado das canetas emagrecedoras baseiam a conclusão dos analistas do Itaú. O primeiro deles é que as vendas do Mounjaro, caneta à base de tirzepatida, produzida pela americana Eli Lilly, se mantêm estáveis, ao volume de R$ 900 milhões por mês, desde novembro de 2025.
O segundo ponto está justamente na redução de lucros, principalmente após o fim da patente do Ozempic e Wegovy, da dinamarquesa Novo Nordisk, em março deste ano, e a chegada de produtos mais baratos de semaglutida no mercado brasileiro.
“O lucro bruto por caneta de produtos similares e genéricos ficou abaixo do esperado, com margem de cerca de 20%, contra estimativas anteriores acima de 30%”, diz o relatório assinado pelos analistas Rodrigo Gastim, Victor Rogatis e Vinicius Pretto.
“RADL3 negocia próximo a níveis anteriores ao crescimento desse mercado de GLP-1, com um múltiplo de preço em relação ao lucro (P/L) de 15 vezes a 16 vezes estimado para 2026, nível que historicamente funcionou como piso”, completa o banco.
Segundo os analistas, Ozempic e Wegovy geram cerca de R$ 150 a R$ 160 por caixa para a varejista farmacêutica, com tíquete médio mensal de R$ 900 e margem de 17% a 18%.
Por outro lado, os medicamentos mais baratos, como os similares, apresentam tíquete médio mensal de R$ 300, margem de cerca de 20% e geram aproximadamente R$ 60 por caixa com a caneta.
“Essa diferença de 2,5 a 3 vezes assustou o mercado. A compensação pode vir via volume, mas ainda não está claro o quanto a demanda pode crescer com preços mais baixos”, explica o Itaú.
O relatório não cita diretamente as concorrentes, mas, neste período, chegaram ao mercado brasileiro a Ozivy, da EMS, primeira semaglutida produzida no País, e a Poviztra, semaglutida mais barata da Novo Nordisk, mas que é comercializada pela Eurofarma.
De qualquer forma, o Itaú já precifica uma melhora gradual das margens a partir do aumento da concorrência entre a indústria farmacêutica e o aumento do poder de negociação das farmácias para venda destes produtos.
Em junho, o NeoFeed revelou que já há uma segunda caneta emagrecedora, em estágio avançado, e que deve em breve ter o registro aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária.
A caneta será da Ávita Care, que licenciará no Brasil a semaglutida produzida pela farmacêutica europeia Adalvo. A comercialização ficará a cargo da Sandoz.
Segundo os analistas, o lucro bruto por loja da RD Saúde melhorou, com alta de 9,7% no primeiro trimestre e 9,2% no quarto trimestre de 2025, em uma base anualizada. Mesmo excluindo os efeitos do mercado de GLP-1, o desempenho das farmácias do grupo também melhora.
O banco acredita que, ainda que hoje represente um impacto importante, o mercado informal deve perder espaço ao longo dos anos, caindo do atual patamar de 50% para 43% até 2030.
A principal razão para esta retomada está na fiscalização mais rígida da Anvisa sobre clínicas de manipulação, que hoje representam um mercado estimado em R$ 12 bilhões para 2026. Isso significa 40% do total do share da tirzepatida. “Qualquer migração do mercado informal para o formal pode beneficiar significativamente as farmácias.”
Ainda na análise do Itaú, entre as varejistas do setor, a controladora da Raia e Drogasil deve ser a mais beneficiada com o avanço deste mercado, a partir das novas aprovações da Anvisa e a entrada de novos players no mercado.
“Para a RD Saúde, o GLP-1 deve representar cerca de 12% da receita em 2026 e chegar a aproximadamente 19% em 2030”, afirma.
“A empresa deve continuar com participação acima da média nesse segmento, por ter maior exposição a consumidores de renda mais alta e maior capacidade financeira para sustentar vendas”, completam os analistas.
A expectativa é que o mercado de canetas emagrecedoras no Brasil, somando todos os produtos disponíveis, alcance R$ 15,6 bilhões em 2026, 50% acima do resultado das redes varejistas no ano passado.
Por volta de 12h desta sexta-feira, 3, as ações da RD Saúde na B3 registravam valorização de 1,6%. No acumulado de 12 meses, a alta é de 15%, ao contrário da tendência de 2026.
O valor de mercado da RD Saúde é de R$ 30 bilhões.