EXCLUSIVO: EMS terá “clone” da caneta emagrecedora Ozivy e lançará uma segunda marca de semaglutida
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A EMS, após lançar o Ozivy, sua primeira semaglutida fabricada no Brasil, planeja introduzir uma segunda caneta em novembro, sob a marca Brace Pharma.
O pedido de registro será feito em julho, após o Ozivy ser classificado como “medicamento de referência” pela Anvisa.
A nova caneta, que visa atingir um público diferente, deve vender 700 mil unidades em 12 meses, gerando cerca de R$ 250 milhões em receita. Juntas, as duas marcas podem ultrapassar 2 milhões de unidades e R$ 800 milhões em faturamento anual.
A Brace Pharma terá estratégias comerciais distintas, focando em diferentes grupos de médicos. A produção será na mesma fábrica do Ozivy, que já demonstrou alta demanda, com vendas de R$ 100 milhões nos primeiros 15 dias.
A competição no mercado de canetas emagrecedoras está aquecida, com previsão de alcançar R$ 15,6 bilhões em 2026. A perspectiva é que a Anvisa aprove nas próximas semanas pelo menos mais um registro do medicamento.
* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed
Menos de um mês após lançar o Ozivy, primeira semaglutida fabricada no Brasil após o fim da patente do Ozempic e Wegovy, a farmacêutica EMS prepara uma segunda caneta emagrecedora com o mesmo princípio ativo. O plano é de lançar um medicamento “clone” ao seu produto, para chegar aos balcões das farmácias até novembro deste ano.
O pedido de registro será feito ainda em julho, assim que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) transformar o Ozivy em um “medicamento de referência”, etapa que ocorre logo após a aprovação do registro de um novo produto farmacêutico.
Uma proposta de instrução normativa para atualização da lista de medicamentos de referência integra a pauta da Diretoria Colegiada da Anvisa desta quarta-feira, 8 de julho. A tendência é que o Ozivy já entre nesta leva e passe a integrar essa categoria da agência.
Ao contrário de um registro novo, que precisa passar pela fase de testes clínicos, o caminho do pedido de um clone na Anvisa é mais rápido. Assim que o pedido é protocolado, o prazo médio de aprovação é de cerca de 90 dias.
E, diferentemente do Ozivy, que foi lançado com a marca EMS, a nova caneta chegará ao mercado sob a marca Brace Pharma, que integra o grupo e que responde por cerca de 5% do faturamento total da companhia farmacêutica.
A Brace Pharma, especializada em medicamentos de prescrição médica nas especialidades de cardiologia, endocrinologia, ortopedia e sistema nervoso central, faturou cerca de R$ 500 milhões em 2025. Ao todo, o grupo EMS ultrapassou a marca de R$ 10 bilhões no ano passado.
A ideia da companhia é ter estratégias comerciais diferentes e, principalmente, avançar em regiões distintas. O plano é que cada marca atinja um volume diferente de médicos para visitas. E que as duas estejam disponíveis nas varejistas farmacêuticas.
“A gente entende que esse produto vai crescer exponencialmente no Brasil. Aumentando o volume, podemos atuar nessa categoria com mais de uma marca”, diz Marcus Sanchez, vice-presidente da EMS, ao NeoFeed.
Enquanto a previsão do Ozivy, inicialmente, é de registrar faturamento de pelo menos R$ 500 milhões e 1,2 milhão de unidades de canetas vendidas em 12 meses, o plano com a nova semaglutida é de vender 700 mil caixas no mesmo período, o que deve representar uma receita próxima a R$ 250 milhões.
Isso significa que, combinadas, as duas marcas de semaglutida do grupo EMS têm potencial para ultrapassar a marca de dois milhões de unidades e um faturamento próximo a R$ 800 milhões por ano. Mas a tendência, segundo Sanchez, é que o volume seja ainda maior.
“A gente quer levar para a comunidade médica mais uma opção de tratamento. Cada empresa tem um foco, com painéis médicos [base de dados com especialistas] diferentes. Enquanto um grupo atua em uma quantidade de profissionais, a equipe da Brace Pharma vai em outro grupo. As empresas terão estratégias complementares”, explica Sanchez.
Assim que o pedido de registro for protocolado, a Brace Pharma deverá entrar na fase final de elaboração do plano da nova semaglutida. Inicialmente, a estratégia é de chegar ao mercado com preço parecido ao do Ozivy, que hoje custa cerca de R$ 450 por caixa, mas pode sair mais barato no plano para os primeiros três meses de tratamento.
Guerra de preço da caneta
Desde que a EMS lançou sua caneta, a indústria farmacêutica iniciou uma guerra de redução de preço, com o anúncio de todas as companhias no preço final de seus produtos. O objetivo principal é capturar novos pacientes, que, com valores mais baratos, rompem esta barreira de entrada.
Ainda que seja de outra marca do grupo, a novo medicamento será fabricado na mesma linha de produção do Ozivy, na planta que fica na sede da companhia, em Hortolândia, no interior de São Paulo.
Segundo Sanchez, a fábrica terá capacidade para produzir as duas linhas. “A nossa produção, que já é bem elevada, não será suficiente para ocupar 100% da capacidade produtiva da nossa fábrica. Por isso há espaço para lançar a outra marca”, afirma.
O plano de lançar um novo produto, em vez de ampliar a produção do medicamento inicial, é semelhante à estratégia adotada pela dinamarquesa Novo Nordisk, dona do Ozempic e do Wegovy. Meses antes de expirar a patente da semaglutida no Brasil, a empresa lançou a caneta Poviztra, que passou a ser comercializado pela Eurofarma.
É comum, dentro da indústria farmacêutica, a estratégia de lançar medicamentos com o mesmo princípio ativo, só que de marcas diferentes do mesmo grupo. O plano é justamente de garantir mais presença no momento da decisão do paciente e da prescrição do médico.
“Em grandes mercados, vale a pena fazer isso. E como o setor farmacêutico é muito pulverizado, é uma boa estratégia lançar mais uma marca de um determinado tipo de produto”, explica o vice-presidente da EMS. “Nosso objetivo é garantir mais acesso deste medicamento no Brasil.”
A iniciativa da companhia liderada pela família Sanchez ocorre antes mesmo da aprovação de um segundo registro para produção da caneta por parte da Anvisa.
Como o NeoFeed revelou no início de junho, a Anvisa está próxima de aprovar o registro da farmacêutica Ávita Care, que vai importar o medicamento produzido pela europeia Adalvo. A caneta da Ávita, que vai se chamar Owozy, será comercializada no país pela Sandoz.
Também vem caminhando de forma rápida na Anvisa o processo de aprovação da caneta da Hypera Pharma. Recentemente, a Anvisa aprovou a fábrica da Cristália, que irá comercializar no país a semaglutida produzida pela chinesa Livzon.
A tendência é que o clone do Ozivy já chegue ao mercado com pelo menos mais uma semaglutida oficialmente aprovada pela agência reguladora. Mas, como a EMS tem a vantagem de já ter todo o parque fabril desenvolvido, a nova caneta da empresa pode ser oficialmente a próxima a chegar, de fato, nos balcões das redes de drogarias.
Lançado oficialmente nas farmácias no dia 15 de junho, o Ozivy alcançou, até aqui, um resultado acima do plano inicial, segundo Sanchez. Somente nos primeiros 15 dias, o medicamento alcançou R$ 100 milhões com a venda de 230 mil unidades.
Para as próximas duas semanas, a expectativa é de colocar no mercado mais 270 mil unidades, para chegar a 500 mil unidades, e alcançar uma receita próxima de R$ 200 milhões.
A corrida pelas canetas emagrecedoras envolve um mercado de R$ 15,6 bilhões no Brasil em 2026, mais de 50% superior ao que foi registrado no ano passado, que ficou em R$ 10 bilhões. O volume integra todos os produtos lançados nas farmácias, incluindo a líder do mercado Mounjaro, caneta à base de semaglutida, da americana Eli Lilly.
Em agosto do ano passado, a EMS já havia lançado suas versões de outro princípio ativo, a liraglutida, com o Olire (para obesidade) e Lirux (para tratamento de diabetes), após o fim da patente do Saxenda, também da Novo Nordisk. Foi a primeira caneta emagrecedora brasileira no mercado. Nenhum outro registro da liraglutida foi autorizado pela Anvisa desde então.