Petroleira avalia investimento em “atalho” para escapar do risco em Ormuz
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A Chevron está considerando alternativas para exportar petróleo e evitar riscos associados ao Estreito de Ormuz, especialmente devido à guerra entre Estados Unidos e Irã.
A empresa planeja investir em dois campos de petróleo no Iraque e estuda a construção de um oleoduto que ligaria a região de Kirkuk à costa da Síria, visando modernizar a infraestrutura danificada desde 2003.
O consórcio de investidores, que inclui a Chevron, está avaliando se deve construir um novo oleoduto ou reformar o existente.
O Iraque, que depende do estreito para escoar sua produção. O tráfego marítimo pelo estreito caiu drasticamente, de 135 navios diários para menos de 40, devido ao aumento dos riscos e custos de seguro.
* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed
A guerra entre Estados Unidos e Irã, com o consequente fechamento do Estreito de Ormuz, tem levado empresas a buscar alternativas para escoar petróleo e outros produtos sem ficar reféns da situação de um dos pontos mais estratégicos e vulneráveis do mercado global de energia.
A Chevron é a mais recente companhia nessa situação. A petroleira americana pretende assinar acordos para investir em dois campos de petróleo no Iraque. Para isso, estuda integrar um consórcio de investidores que avalia a construção de um oleoduto para conectar a região petrolífera do país à costa da Síria, segundo apuração do jornal The Wall Street Journal (WSJ).
Segundo a reportagem, que ouviu fontes da companhia, a Chevron e o consórcio, cujos participantes não foram revelados, consideram reconstruir o oleoduto que liga Kirkuk, no norte do Iraque, ao porto sírio de Baniyas, no Mar Mediterrâneo, fechado há mais de duas décadas. A infraestrutura foi danificada durante a invasão americana ao Iraque, em 2003.
O consórcio planeja realizar estudos técnicos para determinar se deve construir um novo oleoduto ou modernizar a infraestrutura existente, que seria conectada aos oleodutos que atravessam a Turquia, disse um dos executivos da Chevron, que não foi identificado na reportagem.
Encontrar uma alternativa ao Estreito de Ormuz é fundamental para que a Chevron invista em dois importantes campos de petróleo iraquianos: West Qurna 2 e Nasiriyah.
Poucos dias antes do início da guerra com o Irã, a Chevron anunciou o início de negociações exclusivas com a estatal Basra Oil para adquirir uma participação em West Qurna 2, um dos maiores campos de petróleo terrestres do mundo.
O Iraque retirou da russa Lukoil a operação do campo, localizado no sul do país, a cerca de 65 quilômetros ao norte de Basra. O ativo produz cerca de 460 mil barris de petróleo por dia. Na ocasião, a Chevron recebeu direitos exclusivos de negociação por um ano para fechar o acordo.
O Iraque e outros países do Oriente Médio também buscam alternativas ao Estreito de Ormuz, que Teerã tentou fechar e controlar após os ataques realizados por Estados Unidos e Israel.
Cerca de 20% do petróleo mundial transitava pela passagem antes do início da guerra com o Irã. Segundo maior produtor da commodity no Oriente Médio e responsável por cerca de 5% do petróleo consumido globalmente, com produção de aproximadamente 4,5 milhões de barris por dia, o Iraque depende do estreito para escoar a produção dos campos localizados no sul do país.
Quem também estuda uma alternativa ao Estreito de Ormuz é Dubai. A DP World, operadora portuária estatal do emirado, planeja construir um novo porto e um terminal de contêineres em Fujairah, um dos sete emirados que compõem os Emirados Árabes Unidos (EAU).
O projeto visa reduzir a dependência de Dubai em relação ao hub de Jebel Ali. Considerada a “joia da coroa” da DP World, que em duas décadas se tornou uma das maiores operadoras portuárias do mundo, Jebel Ali é um dos principais pilares da estratégia de Dubai e dos Emirados Árabes Unidos para reduzir a dependência do petróleo e do gás, apostando em logística, comércio e serviços.
O problema é que o hub está localizado na costa do Golfo Pérsico, cerca de 150 quilômetros a sudoeste do Estreito de Ormuz, ficando à mercê do que acontece na passagem. Todo navio que parte dos principais portos do Golfo, incluindo Jebel Ali, precisa atravessar o estreito para chegar aos mercados internacionais.
Durante o período de maior tensão, o tráfego marítimo pelo estreito diminuiu significativamente em razão do aumento dos riscos para as embarcações e dos custos de seguro.
Antes do conflito, cerca de 135 navios cruzavam a passagem diariamente, mas esse número mal ultrapassou 40 desde que os Estados Unidos e o Irã assinaram um breve cessar-fogo, em meados de junho.