Netflix vive um “filme de terror” na bolsa que já custou mais de uma Disney em valor de mercado
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A Netflix virou o centro das atenções na Nasdaq nesta sexta-feira, 17, após divulgar o resultado do segundo trimestre. As ações chegaram a cair 12,4%, a US$ 65,10, menor nível desde 2024, e reduziram as perdas para cerca de 7%. A queda pode retirar US$ 21,5 bilhões do valor de mercado da companhia.
O lucro líquido subiu 9%, para US$ 3,4 bilhões, e a receita avançou 13,4%, para US$ 12,56 bilhões, em linha com as projeções. O mercado, porém, reagiu à expectativa de crescimento mais fraco da receita no terceiro trimestre, de 11,7%, e ao anúncio de que o relatório semestral sobre horas assistidas passará a ser anual a partir de 2027. No primeiro semestre de 2026, os usuários assistiram a 97 bilhões de horas, alta de 2%.
Desde as máximas de 2025, os papéis acumulam queda de cerca de 45%, com perda de quase US$ 260 bilhões em valor de mercado. Analistas apontam receios sobre o teto de crescimento, o aumento dos investimentos e o apetite por aquisições. Após perder disputas por Warner Bros. Discovery e Roku, a Netflix reforçou que prefere crescer organicamente.
* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed
A Times Square, um dos endereços mais icônicos de Nova York, tornou-se cenário de um filme de terror da Netflix na sexta-feira, 17 de julho. Mais precisamente na Nasdaq, um dos cartões-postais da cidade: as ações da empresa despencam após o resultado do segundo trimestre assustar os investidores.
Logo no início da sessão, os papéis da Netflix chegaram a cair 12,4%, indo à mínima desde 2024, ao serem negociados a US$ 65,10. Mesmo com os papéis reduzindo as perdas para perto de 7% ao longo do dia, a companhia caminha para encerrar o pregão com uma queda de US$ 21,5 bilhões no valuation, equivalente a quase todo o valor de mercado da Fox Corporation (US$ 23,5 bilhões), a mais de duas vezes o da Paramount (US$ 10,3 bilhões).
No trimestre, o lucro líquido da Netflix foi de US$ 3,4 bilhões, 9% mais alto na comparação anual, enquanto a receita cresceu 13,4%, para US$ 12,56 bilhões. Até aí, em linha com as expectativas do mercado.
O susto veio nas projeções da Netflix, que passou a considerar um crescimento mais fraco da receita, da ordem de 11,7%, para o terceiro trimestre.
Na conference call, o CFO Spence Neumann tentou minimizar, chamando a variação de “choppiness” — uma espécie de solavanco pontual — e reiterando a projeção de crescimento de 13% a 14% para o ano inteiro.
O mercado não comprou. A situação piorou quando a empresa anunciou que vai encerrar a divulgação semestral de dados sobre horas assistidas. O relatório What We Watched, que era publicado junto com os resultados semestrais, passará a sair apenas uma vez por ano, a partir de 2027.
A Netflix argumentou que quer manter o foco nos indicadores financeiros. Wall Street fez uma leitura diferente. Nos primeiros seis meses de 2026, os assinantes assistiram a mais de 97 bilhões de horas de conteúdo — alta de apenas 2% em relação ao mesmo período do ano anterior, uma das menores taxas de crescimento de engajamento da história recente da empresa.
O pessimismo do mercado com a Netflix, porém, não é de hoje. Desde as máximas de 2025, as ações da companhia acumulam queda de cerca de 45%, acarretando uma perda próxima de US$ 260 bilhões em valor de mercado — montante superior ao valor da Disney inteira, avaliada em cerca de US$ 160 bilhões.
Por trás da queda está uma pergunta que divide o mercado há meses: a Netflix está chegando a um teto de crescimento ou está na iminência de destrancar mercados enormes? Analistas do Itaú BBA pendem para o lado mais pessimista.
“Embora a companhia tenha entregado receita e lucros em linha com o guidance, as expectativas eram mais altas, dado o contexto de investimentos crescentes, altas de preço anunciadas em algumas regiões, novos formatos de conteúdo, novos jogos e formatos publicitários expandidos”, afirmaram em relatório.
Analistas do Bank of America também atrelam a baixa de quase 50% das ações a “preocupações dos investidores com o apetite da empresa por uma transação transformadora”.
A empresa tentou, sem sucesso, acelerar por meio de aquisições. Perdeu a Warner Bros. Discovery para a Paramount Skydance no início do ano, após uma guerra de lances que lhe custou uma taxa de rescisão de US$ 2,8 bilhões. Depois, em junho, viu o Roku — plataforma de streaming com mais de 100 milhões de usuários ativos — ser arrematado pela Fox por US$ 22 bilhões.
Na conference call, questionado sobre possíveis movimentos envolvendo Lionsgate ou NBC Universal, o co-CEO Ted Sarandos foi categórico: “Somos construtores, não compradores.” Quem não teve estômago para aguentar o filme de terror vendeu a posição.