Como a Nido conecta famílias brasileiras a startups dos EUA
Quando deixou a gestora de venture capital Astella, na qual era uma das cofundadoras, no fim de 2023, Laura Constantini foi chamada para conversar com famílias brasileiras que haviam investido em startups e que demonstravam insatisfação com a experiência.
De acordo com ela, o problema não estava necessariamente nos resultados, mas na falta de clareza sobre o andamento dos investimentos. “Era mais uma questão de comunicação e de entendimento do momento que angustiava”, afirma Constantini, ao Café com Investidor, programa que é uma parceria entre NeoFeed e CNN Brasil, exibido quinzenalmente no CNN Money.
Ao analisar essas carteiras, Constantini identificou que, embora bem-posicionadas no Brasil, havia uma ausência quase total de exposição ao early stage nos Estados Unidos, o maior mercado de tecnologia do mundo. A partir dessa constatação, ela estruturou a Nido com foco em conectar investidores brasileiros a gestoras emergentes americanas.
Esse segmento, explica Constantini, reúne profissionais experientes que deixaram grandes fundos ou operações corporativas para desenvolver teses próprias. “Eles não são gestores de primeira viagem”, afirma.
Apesar da qualidade, o acesso é restrito. Endowments e fundos de pensão americanos só investem após acompanharem um ciclo completo — algo que leva cerca de dez anos — e com cheques que começam em US$ 500 milhões. “Para você construir uma alocação desse tamanho num gestor emergente, é o fundo inteiro do cara”, diz.
A Nido, que está em seu primeiro fundo, quer ocupar justamente esse espaço. A estratégia combina investimentos em fundos com a possibilidade de coinvestimentos diretos nas startups que se destacam dentro dos portfólios. “O fundo tem uma camada para investimento direto que alavanca o resultado da camada de baixo”, afirma Constantini.
A estrutura é formada por uma base de gestores e, acima dela, SPVs (Special Purpose Vehicle ou Veículo de Propósito Específico, uma entidade jurídica criada exclusivamente para agrupar o capital de múltiplos investidores e direcioná-lo para uma única empresa ou startup). As famílias que investem com a Nido podem participar desses aportes diretos quando há espaço de alocação.
A seleção das gestoras segue um mapeamento de como diferentes grupos adotam tecnologia nos Estados Unidos — governos, grandes corporações, indústrias pesadas, PMEs e indivíduos. A primeira gestora investida foi a Mighty Capital. O objetivo é investir em mais quatro gestoras, sendo que três delas estão em fase final de seleção.
Nesta entrevista, que você assiste no vídeo acima, Constantini fala também sobre o estágio do mercado de venture capital no Brasil, comenta sobre inteligência artificial e conta como tem usado as ferramentas de IA no seu dia a dia.