99Food quebra o silêncio sobre a reabertura de processo no Cade
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A 99Food iniciou suas operações em Santos, três semanas após o Cade reabrir uma investigação sobre práticas anticoncorrenciais no mercado de delivery.
A empresa, controlada pela chinesa DiDi, já conta com 1,5 mil restaurantes e 10 mil motociclistas na cidade, onde também atuam Keeta e iFood.
A Keeta acusa a 99Food de firmar contratos de exclusividade que prejudicam a concorrência, mas a 99 nega e afirma que suas práticas são semelhantes às dos concorrentes.
O diretor da 99, Bruno Rossini, destacou que a maioria dos contratos em Santos não é exclusiva, permitindo que restaurantes operem em várias plataformas.
A 99Food não adotará práticas adotadas pela Keeta, e alvo de críticas do setor, como a “compra intermediada” e o pagamento de multas de exclusividade.
A empresa já investiu R$ 2 bilhões no Brasil e planeja um novo ciclo de investimentos, incluindo R$ 50 milhões para apoiar entregadores.
Além disso, lançará a plataforma 99 Compras em São Paulo, expandindo seu modelo de entregas.
* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed
Três semanas após o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) reabrir o processo que investiga práticas anticoncorrenciais no mercado de delivery, a 99Food iniciou, na terça-feira, 21 de julho, sua operação em Santos, segunda cidade no Brasil com a presença dos três principais players do setor, conforme antecipou o NeoFeed. Keeta e iFood já atuam no município.
O lançamento da nova cidade ocorre justamente no momento que o órgão antitruste reabriu o processo impetrado pela Keeta, que acusa a 99Food de realizar contratos de exclusividade que impedem o restaurante de atuar com mais aplicativos.
O argumento para justificar a reabertura do caso pelo Tribunal do Cade é que os restaurantes que têm estes contratos de exclusividade não tinham sido ouvidos pelo órgão. A Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) também reclamou que não tinha sido consultado.
A 99Food nega e rebate a concorrente. A plataforma controlada pela chinesa DiDi diz que nenhuma prática de mercado é diferente do que seus principais concorrentes fazem. Segundo a companhia, é a própria Keeta que fomenta política de exclusividade com os estabelecimentos comerciais.
“Eles que fazem isso. Sentimos essa prática de exclusividade no mercado quando decidimos entrar em Santos e procuramos os restaurantes. Não é o que eles dizem, e sim o contrário. O que nós fazemos é legítimo e não é cláusula de banimento”, diz Bruno Rossini, diretor da 99, ao NeoFeed.
É a primeira vez que a empresa fala sobre o assunto após a decisão de reabertura do caso pelo Cade. Ainda segundo o executivo, o fato de a empresa ser uma “entrante” no mercado mostra que ela não teria força de impactar o setor, a partir de contratos de atendimento exclusivo.
“Ainda temos menos de 100 cidades. E a nossa operação mais velha tem menos de um ano, que é Goiânia. A gente protege nosso investimento dentro do limite que o Cade permite. A nossa opção é válida porque isso não gera impacto no mercado. E a maior parte não quer exclusividade”, afirma.
Segundo o executivo, havia um ambiente um pouco mais fechado em Santos do que a empresa imaginava. E, entre os restaurantes, a maior parte dos contratos foi celebrado sem qualquer tipo de exclusividade, o que permitia que os estabelecimentos pudessem operar em várias plataformas.
Ainda assim, a empresa oferece a opção de, a depender das condições comerciais, permitir que o restaurante possa ter contrato com mais uma plataforma, preferencialmente o iFood. Mas, segundo Rossini, isso não é cláusula de banimento à Keeta.
“Nossa estratégia é de ocasionar a abertura deste mercado. O que a gente tem ouvido dos restaurantes é que eles não têm escopo para trabalhar com muitas plataformas ao mesmo tempo. O perfil médio do restaurante brasileiro é de um estabelecimento pequeno”, afirma Rossini.
Na avaliação do diretor da 99Food, é legítima a reabertura do caso e os restaurantes devem, de fato, ser ouvidos. “Recebemos com tranquilidade a decisão. A 99 inovou, dentro do que é permitido, e o Cade vai decidir sobre isso. Os concorrentes fazem exatamente a mesma coisa.”
Mesmo com a nova praça de Santos, duas práticas adotadas pela Keeta, e que têm sido alvo de críticas do setor, não serão adotadas pela 99Food.
Uma delas é a “compra intermediada”, em que a plataforma faz a compra direta, em nome do cliente, no restaurante, e depois faz a entrega. Na prática, o consumidor final não aparece para o aplicativo, o que pode gerar problemas em caso de falhas no envio.
A outra prática da Keeta é a de pagar as multas de exclusividade do iFood para atrair os restaurantes para a plataforma – a 99 diz que não vai fazer o mesmo. No caso da empresa controlada pela Meituan, os valores por estabelecimentos chegam a R$ 1 milhão.
“Não iremos fazer isso. O que a gente tem discutido com os restaurantes é sobre qual o risco que ele assume ao romper os contratos de exclusividade. Nosso papel é dar apoio e ajuda a entender que o modelo pode não fazer mais sentido”, completa Rossini.
Em entrevista recente ao NeoFeed, o presidente da Abrasel, Paulo Solmucci, diz que, na cidade de São Paulo, onde as três operam, a concorrência aumentou. Segundo ele, iFood passou a ter 60% de market share; 99Food, 30%; e Keeta, 10%.
“A empresa já tinha uma base importante de usuários em Santos, o que facilita a conversa com os restaurantes. Cada empresa quer oferecer o melhor serviço para o cliente, e entramos com um número sólido de estabelecimentos para o lançamento”, diz Pedro Pecly, líder de desenvolvimento de negócios da 99.
Desde 2022, a companhia já opera no litoral paulista o serviço de transporte de passageiros por motos, ao contrário da capital, em que o modelo é proibido.
A entrada em Santos encerra o plano inicial de R$ 2 bilhões de investimentos da 99 no mercado brasileiro. A partir de agora, a empresa seguirá um novo ciclo, em um valor que ainda não foi revelado.
De qualquer forma, a companhia já definiu um pacote de R$ 50 milhões de investimentos nas cidades em que todas as operações da 99 já funcionam, para montar bases de apoio para os entregadores.
“Vamos preparar os ambientes para garantir um local seguro para ele poder descansar, com um café, água. Vamos buscar esses espaços, alguns em parcerias com prefeituras, e garantir esse apoio. Santos deve ter uma dessas bases”, diz Rossini.
Na semana que vem, a empresa lança a plataforma 99 Compras em São Paulo, um outro modelo de entregas, além de alimentos, que vai atender 20 categorias, como mercados, farmácias, papelarias e floriculturas.