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O resultado da Ambev deixou um gosto de “quero mais” para o mercado

Por Redação 30 de julho de 2026 7 min de leitura


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A Ambev reportou um crescimento de 5% nos volumes de cervejas no Brasil no segundo trimestre de 2026, totalizando 21,03 milhões de hectolitros, mas esse resultado ficou abaixo das expectativas do mercado, que projetava uma expansão de cerca de 7%.

O CEO Carlos Lisboa destacou que, apesar do desempenho aquém do esperado, a Copa do Mundo gerou uma demanda incremental, embora tenha sido afetada por condições climáticas adversas. As ações da empresa caíram mais de 3% após o anúncio, refletindo a decepção dos investidores.

O BTG Pactual e o Itaú BBA também expressaram frustração com os resultados, apontando que o desempenho da categoria de cervejas foi o principal desvio em relação às estimativas.

A receita líquida total da Ambev teve um leve avanço de 0,3%, para R$ 20,14 bilhões. O lucro líquido cresceu 24,5%, e a empresa anunciou uma nova distribuição de juros sobre capital próprio.

* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed

Se a eliminação precoce da seleção brasileira frustrou os torcedores na Copa do Mundo FIFA 2026, realizada nos meses de junho e julho, em outra categoria ligada ao torneio, as cervejas, as vendas desapontaram o mercado.

Esse parece ser, ao menos, o caso da Ambev, que divulgou seu balanço do segundo trimestre na quinta-feira, 30 de julho. Embora o CEO do Grupo, Carlos Lisboa, defenda o desempenho do seu time no período.

“Os números vieram muito em linha com as nossas expectativas”, afirmou Lisboa, em call com analistas na tarde de hoje. “A Copa é uma plataforma de seis meses de ativação e quase todas as nossas geografias trouxeram resultados muito interessantes, não só em volume, mas também em equity de marca”.

Nesse contexto, ele observou que o torneio gerou uma demanda incremental em diferentes canais e regiões. Mas ressaltou que esses impulsos foram parcialmente compensados por condições climáticas adversas, com as temperaturas médias mais amenas que em 2025 e muito abaixo dos níveis de 2024.

No balanço entre esses dois fatores, o segmento de cervejas da Ambev registrou um crescimento de 5% entre abril e junho, para 21,03 milhões de hectolitros, o que o grupo atribuiu principalmente à força do seu portfólio premium.

Mesmo com essa expansão, o volume reportado veio aquém das expectativas do mercado e foi um fator destacado em relatórios por bancos de investimentos e analistas. Esse foi o caso da XP, que reforçou justamente um dos pontos citados por Lisboa.

“Apesar do crescimento de volume de 5% ano contra ano, sustentado pela forte execução comercial da companhia em relação aos pares, o impacto positivo do clima ficou abaixo do esperado, gerando alguma decepção frente ao consenso, que projetava expansão próxima de 7%”, escreveu a XP.

Os analistas da casa disseram esperar uma reação negativa das ações, uma vez que o otimismo vinha se acumulando ao longo do trimestre, mas acabou não se refletindo nos números reportados.

Nessa linha, as ações abriram o pregão de hoje com queda de mais de 3% e, durante a manhã, a retração variou de 1,5% a mais de 2%. Por volta das 15h25, no entanto, o recuo estava em 0,19%, avaliando a empresa em R$ 245,2 bilhões. No ano, o papel tem alta acumulada de 14,5%

Quem também reforçou essa “frustração” foi o BTG Pactual. Apesar de frisar que a Ambev reportou um resultado bom, o banco destacou que o salto no volume de cervejas no Brasil ficou 1,6% abaixo das suas estimativas, embora o grupo tenha ganho participação no segmento premium.

“Não foi um trimestre memorável, nem um período que acreditamos que vá gerar revisões substanciais para cima das estimativas de lucro. No entanto, a empresa mantém as qualidades que sustentam a nossa tese de investimento”, observou o BTG, com recomendação de compra e preço-alvo de R$ 20 para a ação.

Já o Itaú BBA, que tem recomendação neutra e preço-alvo de R$ 17 para o papel, afirmou que a Ambev reportou resultados fracos, com receita abaixo do previsto em toda a operação. No período, a receita líquida total da companhia teve um ligeiro avanço, em base anual, de 0,3%, para R$ 20,14 bilhões.

Para o banco, o desempenho da categoria de cervejas no Brasil foi o principal ponto de desvio em relação às suas estimativas para o trimestre, tanto em volume quanto em preços, mesmo contando com a compensação de outras receitas operacionais acima do habitual.

“Em nossa visão, o mercado já havia precificado um impulso significativo decorrente do consumo relacionado à Copa do Mundo da FIFA, enquanto os números reportados sugerem um benefício mais limitado do que o antecipado”, escreveram os analistas do Itaú BBA, que acrescentaram:

“Embora a gestão tenha atribuído parte do desempenho ao impulso da Copa do Mundo de 2026, esperamos que os investidores questionem em que medida o evento efetivamente sustentará os resultados anuais da Ambev”.

Ao falar sobre perspectivas, Lisboa voltou a citar as condições climáticas. Ele mencionou os impactos positivos desses eventos nos números de 2024, e, em contrapartida, os efeitos negativos em 2025, especialmente a partir do segundo semestre, quando a queda nas temperaturas médias se acentuou.

“É sempre bom ter em mente que em 2025 nós tivemos dois anos diferentes dentro do mesmo ano”, disse o CEO. “O que significa que acabamos de completar o pior ciclo de base comparativa que já tivemos”.

Nesse ponto, o executivo ressaltou que, ao iniciar essa nova etapa, e com base nas informações que a empresa tem em mãos, a partir de diferentes previsões de institutos sobre o clima, não há nenhuma indicação de um cenário com tantos impactos como ocorreu em 2025.

“O clima é capcioso e eu não sou meteorologista, mas as previsões atuais não indicam grandes variações de temperatura”, afirmou. “Mas tivemos vários aprendizados nesses dois anos e estamos trabalhando muito próximos dos produtores e fornecedores para podermos enfrentar juntos qualquer cenário”.

Outros números

Em outros números do balanço do segundo trimestre, a Ambev registrou um lucro líquido de R$ 3,47 bilhões, o que representou um crescimento de 24,5% sobre o desempenho reportado nessa mesma linha em igual período, um ano antes.

Nessa mesma base de comparação, o Ebitda ajustado cresceu 3,6%, para R$ 6,37 bilhões, enquanto a margem Ebitda registrou uma expansão de 100 pontos-base, para 31,6%. No trimestre, a empresa reportou uma expansão de 1,4% nos volumes consolidados.

Em outra prateleira além das cervejas, a Ambev divulgou uma queda de 4,4% nos volumes do segmento de bebidas não alcoólicas no mercado brasileiro, para 7,61 milhões de hectolitros.

Segundo a empresa, o recuo no segmento refletiu a forte base de comparação com o mesmo período de 2025 e a decisão de descontinuar os volumes de um canal de mais baixo retorno.

O grupo também informou que encerrou o trimestre com um caixa líquido de R$ 15,39 bilhões, cifra que representou uma retração em relação ao montante de R$ 16,93 bilhões reportado em 31 de dezembro de 2025.

Com o balanço, a Ambev anunciou ainda a aprovação de uma nova distribuição de juros sobre capital próprio, de cerca de R$ 1,1 bilhão, a serem pagos até dezembro de 2026, além do pagamento, em 6 de outubro, da terceira e última parcela dos juros sobre capital próprio aprovados em dezembro de 2025.



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Redação

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