Aeris aciona tutela cautelar para renegociar dívida com credores
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A Aeris iniciou um processo de mediação para renegociar sua dívida com credores, utilizando um protocolo de tutela cautelar antecedente, que oferece proteção temporária antes de um pedido formal de recuperação judicial. A empresa possui duas emissões de debêntures, AERI11 e AERI12, com saldo superior a R$ 1 bilhão no final de 2024.
Em março de 2025, a Aeris já havia repactuado cerca de 90% de uma dívida total de R$ 1,7 bilhão, mas os indicadores financeiros continuaram a se deteriorar, resultando em um prejuízo líquido de R$ 152 milhões no segundo trimestre de 2026.
O mercado precificou o risco, levando as debêntures a serem negociadas com deságio superior a 85%. Além disso, a Aeris confirmou que seus controladores foram abordados pela chinesa Sinoma Blade sobre uma possível venda de participação, mas as negociações não avançaram.
* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed
A Aeris comunicou a credores debenturistas, nesta quinta-feira, 20 de agosto, o início de um processo de mediação para renegociação de dívida, por meio de um protocolo de tutela cautelar antecedente, apurou o NeoFeed.
A tutela cautelar antecedente é um mecanismo jurídico que dá à empresa proteção temporária para negociar com credores antes de um pedido formal de recuperação judicial ou extrajudicial — e, em geral, precede uma dessas duas saídas em até 30 dias.
A companhia tem duas emissões de debêntures em mercado, AERI11 e AERI12, ambas quirografárias e indexadas a 100% do CDI, que somavam mais de R$ 1 bilhão em saldo no fim de 2024.
As duas séries já haviam passado por uma repactuação em março de 2025, que alongou o vencimento para 2030 e elevou os juros de DI+2% para DI+3% ao ano a partir de 2026, com pagamento apenas trimestral a partir de 2027.
Naquela ocasião, a Aeris concluiu o reperfilamento de cerca de 90% de uma dívida total de R$ 1,7 bilhão, incluindo bancos como Santander, BB, BV e BNDES.
Mesmo após a reestruturação, os indicadores da companhia seguiram se deteriorando: a Aeris teve prejuízo líquido de R$ 152 milhões no segundo trimestre de 2026, ante R$ 138 milhões no trimestre anterior, com dívida líquida em R$ 1,94 bilhão e caixa de apenas R$ 17,3 milhões ao fim do período. O Ebitda ajustado permanece negativo, apesar de melhora sequencial.
O mercado de crédito privado já vinha precificando o risco. A Anbima parou de calcular taxa indicativa para as duas debêntures no início de dezembro de 2024, dias antes de a companhia convocar a primeira assembleia de debenturistas para tratar da reestruturação.
Nos negócios mais recentes, em junho e julho de 2026, os papéis vêm sendo negociados no mercado secundário com deságio superior a 85% frente ao valor de curva, segundo dados da B3 e da Oliveira Trust, agente fiduciário das emissões.
Em dezembro de 2024, a Aeris já havia confirmado, em resposta a questionamento da CVM, que seus controladores foram procurados pela chinesa Sinoma Blade, fabricante de pás eólicas, sobre uma possível venda de participação — negociação que, até então, não avançou.