Ex-servidor público de MG cria negócio de queijos e vende 3 toneladas por mês
Osvaldo Filho era funcionário da Prefeitura Municipal de Alagoa, cidade serrana de Minas Gerais, quando a situação de um vizinho produtor de queijo o fez agir. O comprador pagava com cheques a 40 dias — e aquilo, segundo Filho, o incomodou profundamente. A resposta que encontrou foi vender os queijos pela internet. Na primeira transação, saíram apenas três peças. Hoje, à frente da Queijo d’Alagoa-MG, ele movimenta três toneladas por mês e distribui para todo o Brasil.
Alagoa fica a mais de 1.100 metros de altitude, na Serra da Mantiqueira, e conta com 138 produtores artesanais que fabricam cerca de 90 toneladas de queijo por mês. É nesse ambiente que Filho — mais conhecido como Osvaldinho — construiu, ao longo de mais de uma década, uma operação de comercialização que agrega oito produtores parceiros e opera com logística própria.
O ponto de partida foi um problema simples e uma pesquisa frustrada. “Fui no site de busca, coloquei lá ‘comércio eletrônico de queijo’, zero resultado”, lembra Filho. A ausência de concorrência era, ao mesmo tempo, um sinal de risco e de oportunidade. Formado em direito, mas nunca tendo advogado, ele buscou apoio no Sebrae para transformar a ideia em negócio.
Com orientação do Sebrae, Filho abriu um CNPJ e se tornou MEI. A parceria foi além do registro formal: a entidade apoiou desde a elaboração do plano de negócio até a estruturação do e-commerce e as estratégias de marketing.
Ao longo dos anos, ele passou por uma série de programas e capacitações: o Sebraetec, que resultou no redesign das embalagens da Queijo d’Alagoa-MG; uma oficina de fotografia para redes sociais; uma imersão em finanças; e, mais recentemente, uma formação em gestão de resultados com uso da ferramenta Alvo, do Sebrae. “Estou numa digestão para resultados. A ferramenta é fenomenal”, diz.
Filho também integra o Origem Minas, programa desenvolvido em parceria entre o Sebrae e a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (FAEMG). A iniciativa reúne produtores de doces, queijos artesanais, cachaça e café especial com foco em ampliar mercados. “O Sebrae leva a gente para vários eventos fora de Minas Gerais e também dentro do estado — feiras, rodadas de negócios“, explica.
Do entreposto ao Brasil inteiro
A operação da Queijo d’Alagoa-MG funciona com um entreposto central, onde os produtores parceiros entregam seus queijos. No local, o produto passa por triagem, embalagem e preparo para expedição. Cada produtor mantém sua identidade: o queijo chega ao cliente com o nome de quem o fabricou. “Embala, empacota e de lá sai para o Brasil inteiro”, resume Filho.
A demanda é maior do que a capacidade atual de absorção. Produtores da cidade que querem integrar a rede precisam aguardar. “Tem vários que sempre me procuram: ‘Osvaldinho, vem no meu queijo também’. Tem até fila de espera”, conta. A expansão, segundo ele, acompanha o crescimento da demanda.
Um dos parceiros de longa data é Márcio — chamado pelos moradores locais de Somárcio, contração de “Senhor Márcio”. Ele começou produzindo com apenas 4 litros de leite por dia, o que rendia cerca de meio quilo de queijo. Hoje, são 100 peças por dia, produzidas com 100 quilos de leite. “E vende tudo, graças a Deus”, diz Márcio, diante de uma parede coberta de certificados conquistados ao longo dos anos. “Nem acreditava que chegaríamos até hoje.”
Filho usa a história dos tropeiros para contextualizar o que faz hoje. Na região, a tradição do queijo remonta à época em que esses comerciantes carregavam as peças no lombo de animais para vender pelas estradas. “Eu brinco que sou um tropeiro digital. Por meio da internet, a gente entrega do Norte ao Sul do país”, diz.
Produção própria e planos para a Europa
Em 2025, Filho começou a produzir queijo com marca própria dentro da Queijo d’Alagoa-MG, sem abandonar a revenda do produto dos parceiros. O passo representa uma ampliação do modelo de negócio — da distribuição para a produção —, mas não altera a lógica colaborativa que sustenta a operação desde o início.
O próximo objetivo é a exportação. “Quero ver o queijo chegar à Europa. Tenho esse sonho ainda”, diz Filho. Para ele, o produto de Alagoa carrega mais do que sabor. “Tem tradição, história, cultura. Tem sabor de superação, tem sabor de vitória.”
Veja a seguir a reportagem completa, que foi ao ar no programa Pequenas Empresas & Grandes Negócios, da Globo:
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