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XP propõe trocar o CDI pelo IPCA como protagonista dos portfólios

Por Redação 02 de junho de 2026 6 min de leitura


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O investidor brasileiro tem como referência o CDI, considerado um índice livre de risco, mas a XP, em parceria com o Insper e a Atlantiqis Consulting, fizeram um estudo que questiona essa premissa. O resultado sugere que o ativo livre de risco de longo prazo deveria ser o Tesouro IPCA+, já que o IPCA reflete melhor o aumento do custo de vida.

Entre 2019 e 2023, o CDI teve retorno nominal de 27%, mas a inflação consumiu quase todo esse ganho, resultando em retornos reais negativos em 2020 e 2021.

A XP propõe educar os investidores a focarem em retornos em IPCA+ no longo prazo, visando uma melhor adequação às suas necessidades financeiras futuras.

A empresa planeja implementar mudanças em sua abordagem, incluindo cursos para assessores e ajustes em seu aplicativo, para que o IPCA se torne a principal referência de performance. A XP busca democratizar essa visão e provocar a indústria a repensar o uso do CDI como benchmark para produtos de longo prazo.

* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed

O investidor brasileiro acompanha e baseia todo o retorno do seu portfólio no CDI, considerado o índice de ativo livre de risco do mercado. É verdade que nos últimos anos poucos foram os produtos que bateram esse benchmark, dando a impressão de que é uma meta ambiciosa e ajustada. Mas a questão é se será sempre assim.

A XP, em parceria com a Atlantiqis Consulting, fez um estudo para analisar se o CDI é mesmo um benchmark livre de risco no longo prazo. Usando teorias do prêmio Nobel de Economia, Robert Merton, de que visando ao longo prazo os ativos devam ter uma valorização semelhante às nossas obrigações financeiras ao longo do tempo, ficou claro que o ativo livre de risco deveria ser a inflação.

No Brasil, o IPCA é o índice que melhor acompanha o aumento do custo de vida das famílias. Dessa forma, o objetivo de longo prazo é de fato o juro real. E o ativo livre de risco deveria ser Tesouro IPCA+ (NTN-B) e não o CDI.

“O portfólio de longo prazo precisa garantir que se tenha uma renda necessária para cobrir o seu custo de vida futuro, como planos de saúde, faculdade dos filhos etc.”, afirma Artur Wichmann, CIO da XP Inc. “Talvez o IPCA não seja o índice perfeito também, mas o CDI garanto que não é mesmo.”

Um exemplo trazido pelo estudo é o período entre janeiro de 2019 e janeiro de 2023, quando o CDI acumulou retorno nominal de cerca de 27%, mas teve esse ganho quase integralmente consumido pela inflação. Em 2020 e 2021, o retorno real do índice foi negativo, de -1,73% e -5,37%, respectivamente.

Na amostra mais longa, de 2010 a 2026, a evidência vai na mesma direção: o IMAB5, índice de títulos públicos indexados à inflação de até cinco anos, entregou retorno real médio superior ao CDI em janelas de um, cinco e dez anos.

A evidência aparece também quando o horizonte se alonga. Em janelas móveis de dez anos entre 2010 e 2026, o pior retorno real anualizado do CDI foi de 1,90% ao ano, enquanto o do IMAB5 ficou em 3,97%. No retorno médio, a diferença também favorece os títulos indexados à inflação: 5,03% ao ano para o IMAB5, contra 3,07% do CDI.

“Ao investir no CDI, você contrata uma série que desconhece no futuro. Você não sabe qual vai ser a taxa em que vai reinvestir lá na frente. E aí o investidor está exposto ao risco”, afirma Ruy Ribeiro, sócio da Atlantiqis Consulting.

A proposta da XP é pensar em retornos em IPCA+ no longo prazo, já que essa referência estaria alinhada com o futuro. E, para isso, é preciso tirar o vício do investidor do CDI.

“Queremos tirar o protagonismo do CDI e colocar o IPCA como benchmark principal do portfólio dos investidores. Sabemos da resistência, nenhum viciado muda de um dia para o outro, mas somos uma casa de educação financeira e iremos focar nisso”, afirma Rodrigo Sgavioli, head de alocação da XP Inc.

Segundo ele, nos últimos 20 anos, o CDI deu em média um retorno de IPCA+4%, o que pode não ser o suficiente para os objetivos de longo prazo de alguns clientes que se tivessem mirado retornos de IPCA poderiam ter conseguido acima disso.

O quanto cada portfólio deveria ter como referência de performance acima do IPCA, seja mais 4% ou mais 8% ao ano, para conseguir atingir o objetivo de longo prazo depende do patrimônio do cliente, seu custo de vida atual e o quanto ele pretende manter disso no futuro. Ou seja, é uma análise individual que a XP quer começar a fazer com cada cliente por meio de planejamento patrimonial com os seus assessores.

Os primeiros passos nessa direção vão ser dados em breve, com cursos para os assessores, palestras na Expert e, já no início do segundo semestre, o aplicativo da XP já terá como default de acompanhamento da carteira o IPCA. E o relatório de alocação da empresa, base para toda a sua rede, passa a usar o IPCA e a dar mais espaço a ele.

Os assessores serão treinados a definir melhor carteiras de curto e médio prazo, que devem continuar a ter o CDI como referência, da carteira que visa ao longo prazo e deve perseguir o IPCA+, uma taxa de referência compatível com o objetivo do cliente e o risco e retorno que deseja tomar para alcançá-lo.

A ideia de pensar em inflação no longo prazo não é de fato inovadora e já é seguida por investidores sofisticados de longo prazo no Brasil, como fundos de pensão que perseguem uma meta atuarial de IPCA+ ou family offices que analisam individualmente o custo de vida da família assistida. Mas com percepção de que essa análise é de fato necessária a todos, a XP quer agora democratizar essa ideia para todo o mercado.

Segundo a XP, cerca de 25% da sua rede já tem um acompanhamento de financial planning com o seu assessor, e no B2C esse número sobe para mais de 60%.



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Redação

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