Com remédio e arroz no mesmo carrinho, Assaí inicia sua rede de farmácias dentro do supermercado
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Menos de quatro meses após a aprovação da lei que permite farmácias em supermercados, o Assaí inaugura sua primeira unidade em São Paulo, com planos de abrir 25 até o fim do ano.
A empresa estima um potencial de 250 novas farmácias no Brasil. As unidades terão cerca de 10 mil SKUs, similar a farmácias de rua, e visam reduzir custos operacionais em 40% em comparação às concorrentes.
O CEO Belmiro Gomes destaca que a estratégia inclui a interligação com programas de pontos e a captura de vendas dos 40 milhões de clientes mensais. A venda online será iniciada com o formato “clique e retira”.
As farmácias ocuparão espaços ociosos nas lojas, com a presença de um farmacêutico em tempo integral. A distribuição será direta, sem centros de distribuição. No primeiro trimestre de 2026, a receita líquida do Assaí foi de R$ 18,6 bilhões.
* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed
Menos de quatro meses após a aprovação da lei que autorizou a instalação de farmácias dentro de supermercados, a varejista de atacarejo Assaí inaugurou a quinta-feira, 16 de julho, a unidade instalada na loja próxima à Marginal Tietê, em São Paulo, a primeira no País.
O plano da varejista é de abrir, até o fim do ano, 25 farmácias nos supermercados até o fim deste ano, todas no estado de São Paulo. Segundo a companhia, o potencial de instalação de novas unidades no mesmo modelo em suas lojas é de 250 no Brasil, ainda sem prazo definido.
As farmácias do Assaí terão cerca de 10 mil SKUs (itens), volume equivalente a uma loja de rua média das principais concorrentes. A primeira loja já abre inclusive com estoque de canetas emagrecedoras.
Se a empresa ainda não terá, neste primeiro momento, ganho de escala para concorrer com as gigantes do varejo farmacêutico, como RD Saúde (dona da Droga Raia e Drogasil), DPSP (Pacheco e São Paulo), Pague Menos e Panvel, a vantagem competitiva estará, segundo a companhia, na redução do custo operacional.
“Boa parte do custo que elas [redes] têm, nós não teremos. O IPTU e o aluguel são fixos. Os custos de limpeza e segurança também. Aproximadamente 40% da despesa de uma farmácia hoje a gente já tem dentro da operação”, diz Belmiro Gomes, CEO da Assaí.
Isto explica, segundo o executivo, o racional de abrir farmácias e não realizar uma parceria com as grandes redes para implementação de unidades nos supermercados. De qualquer forma, o plano é de ser um player competitivo no setor.
“A farmácia faz parte da nossa estratégia de ampliação de relacionamento com o cliente e de interligar no futuro um programa de pontos, uma vantagem extra. Nós queremos ter esse dado do cliente. Ficaria difícil isso realizando parceria com uma grande companhia do setor”, afirma.
Com isto, o grupo pretende brigar por uma fatia do mercado farmacêutico brasileiro, que no ano passado alcançou R$ 243 milhões. Metade deste faturamento vem das grandes redes do segmento.
Outra vantagem que o CEO aponta está ligada à praticidade da compra. O objetivo é aproveitar o volume de 40 milhões de clientes por mês, que passam nas lojas do Assaí, para capturar a venda dos produtos farmacêuticos.
A base que sustenta esta tese está no fato de que 80% dos medicamentos vendidos no Brasil são para clientes de uso crônico, segundo estudo da Bain & Company encomendado pelo Assaí. No levantamento, 78% das pessoas demonstraram intenção de comprar em farmácias de supermercados.
“O nosso fluxo mensal é praticamente o total por ano no Aeroporto de Guarulhos, dividido em todos os estratos sociais. Da mesma forma que a gente vai vender arroz para o resto da vida para o cliente, também podemos vender remédio”, explica Gomes.
Além da venda física, a companhia também lança a plataforma online para venda dos medicamentos. Em um primeiro momento, será no formato “clique e retira”, com a compra pela internet e retirada na loja.
Com 313 lojas no Brasil, nem todas as unidades terão condições de receber uma farmácia em seu interior. Em média, cada instalação terá cerca de 120 metros quadrados (m²). E, segundo o CEO, elas vão ocupar espaços que já estavam ociosos.
“Os antigos hipermercados tinham uma série de itens, como eletroeletrônicos, e a gente veio fazendo uma série de enxugamento de sortimentos, porque havia muito do mesmo em alguns lugares. Por isso, não foi necessário fazer grandes ajustes na operação das lojas”, explica Gomes.
Além de sala para serviços farmacêuticos, as lojas também irão contar um farmacêutico, no período integral, como determina a legislação. Esta havia sido uma preocupação inicial da Associação Brasileira de Drogarias e Farmácias (Abrafarma), que depois atuou na construção do modelo aprovado em lei.
Entre julho e agosto, o Assaí ainda abrirá mais seis farmácias, sendo na Vila Maria, Tatuapé, Penha, Jaguaré, na Avenida Teotônio Vilela (em São Paulo), e unidades Anchieta Pauliceia e Alvarengas (em São Bernardo do Campo).
Por meio de acordos estabelecidos com as indústrias farmacêuticas, o plano é de realizar essa distribuição de forma direta, sem a necessidade de abertura de um centro de distribuição. O modelo é diferente do alimentar, em que é necessária uma distribuição descentralizada.
“Ao contrário de alimentos, não há marca regional de medicamentos. Por isso que este ganho é melhor no setor farmacêutico, que não precisa desta compra dispersa”, diz Gomes.
A empresa não revelou o volume de investimentos em cada farmácia e nem qual a expectativa de faturamento com esta nova unidade de negócios para a receita consolidada do Assaí.
A lei que garantiu a instalação de farmácias em supermercados foi sancionada em março pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a partir de uma longa discussão com as associações do setor.
No primeiro trimestre de 2026, a rede de atacarejo reportou receita líquida de R$ 18,6 bilhões, alta de 0,5% sobre a mesma base do ano anterior. O Ebitda ajustado foi de R$ 1,02 bilhão, aumento de 0,3%. O balanço do segundo trimestre será divulgado no dia 6 de agosto.
No acumulado de 2026, as ações ASAI3 registram valorização de 20%. Em 12 meses, porém, o cenário é de queda de 14%. O valor de mercado do Assaí é de R$ 11,8 bilhões.