O follow-on de US$ 10,2 bilhões do Alibaba azeda o humor de Wall Street (e de Michael Burry)
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As ações do Alibaba caíram 8,54% após o anúncio do maior follow-on da bolsa de Hong Kong, com a emissão de 710 milhões de novas ações para investidores não-americanos, totalizando HK$ 80 bilhões (US$ 10,2 bilhões). Os papéis foram oferecidos a HK$ 112,70, um desconto de 8,4% em relação ao fechamento anterior.
A empresa destinará os recursos à sua estratégia de inteligência artificial, mas a diluição dos investidores gerou ceticismo no mercado. Críticos como Michael Burry expressaram reservas, afirmando que o preço das ações precisaria cair pela metade para que considerasse investir novamente.
Apesar da queda, a oferta atraiu US$ 28 bilhões em ordens, com forte demanda de investidores de longo prazo. Analistas do Bank of America mantêm uma visão otimista sobre o papel, destacando o potencial do negócio de nuvem do Alibaba. As ações da empresa acumulam queda de 21,2% no ano.
* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed
As ações do Alibaba caíram 8,54% no pregão de segunda-feira, 24 de agosto, após a gigante chinesa de tecnologia anunciar o maior follow-on já registrado na bolsa de Hong Kong. O Alibaba irá emitir 710 milhões de novas ações para investidores não-americanos, em oferta precificada em HK$ 80 bilhões (o equivalente a US$ 10,2 bilhões).
Os novos papéis foram ofertados a um preço unitário de HK$ 112,70 – desconto de 8,4% frente ao preço de fechamento de sexta-feira, 20 de agosto, de HK$ 123. Segundo a empresa, o objetivo é investir 100% dos recursos da oferta em sua estratégia de inteligência artificial, incluindo chips, modelos e infraestrutura.
A combinação entre a diluição dos investidores e o desconto dos papéis na oferta alimentou o ceticismo do mercado, que tem enfrentado uma espécie de gangorra nos últimos meses quando o assunto é IA. De um lado, investidores se animam com as projeções para o setor; de outro, questionam qual será o retorno efetivo dos vultosos investimentos.
Entre os críticos da operação está Michael Burry, investidor conhecido por sua aposta contra o mercado imobiliário dos EUA antes da crise financeira de 2008. Antes entusiasta da empresa, Burry mudou a abordagem e disse ter zerado sua posição na companhia, migrando para a rival chinesa de e-commerce JD.com. A ideia inicial era retomar a posição em “um ou dois meses”, mas o recente follow-on fez com que mudasse de ideia.
“Não posso endossar emissões de ações”, disse Burry em uma publicação no Substack no domingo, 23 de agosto, após o anúncio da operação.
O investidor disse que o preço das ações teria que cair pela metade para que voltasse a interessá-lo – atualmente o papel é negociado a HK$ 125, uma queda de 27,9% frente à máxima do ano, registrada em janeiro.
Yang Tingwu, vice-gerente geral da gestora chinesa Tongheng Investment, também afirmou ter reservas sobre a operação. “O DNA do Alibaba está no comércio eletrônico, não na tecnologia avançada”, disse Tingwu em entrevista à Reuters.
“Não importa o quanto invista em hardware de IA, provavelmente será superado pelos concorrentes em inovação tecnológica”, complementou.
Apesar do recuo na bolsa, o follow-on gerou forte demanda entre investidores e já atraiu US$ 28 bilhões em ordens segundo a Reuters, incluindo US$ 6 bilhões de investidores de longo prazo e soberanos. Entre eles a Autoridade de Investimentos do Catar (QIA), o fundo soberano norueguês Norges e a gestora global de ativos alternativos Hillhouse.
O descompasso entre a demanda e a movimentação dos papéis no mercado se deve principalmente à reação negativa à diluição imediata dos investidores, afirmaram os analistas do Bank of America em relatório. Apesar da queda na bolsa, o banco segue otimista com o papel, especialmente com as perspectivas para o negócio de nuvem do Alibaba.
“Encaramos a operação como uma combinação de financiamento do crescimento, diversificação de fontes de recursos e reforço preventivo do balanço patrimonial”, escreveram os analistas.
Corrida pela IA
O anúncio do follow-on ocorreu poucos dias após a companhia apresentar seu balanço para o segundo trimestre na quinta-feira, 20 de agosto. Embora a receita tenha avançado 9% em um ano apoiada nas soluções de inteligência artificial, o custo do avanço foi alto: os investimentos em capex dispararam 75% em um ano, justamente para suportar o crescimento em IA.
Os pares de tecnologia também têm acelerado os investimentos na área. A chinesa Tencent, por exemplo, elevou em 65% seu investimento em capex no segundo trimestre, destacando o investimento em infraestrutura de computação para seus modelos.
Novas captações também estão no radar. Em junho, a Alphabet, dona do Google, ampliou sua oferta secundária de ações para expansão em infraestrutura e a capacidade computacional em IA devido à alta demanda de investidores. O follow-on passou de US$ 80 bilhões para US$ 84,75 bilhões e se tornou a maior operação do tipo registrada este ano.
Já a ByteDance, dona do TikTok, levantou US$ 30 bilhões na última semana em pedidos para seu empréstimo sindicalizado com foco em IA, segundo reportagem da Bloomberg.
O próprio Alibaba, por sua vez, já havia anunciado em 2025 um investimento global de 380 bilhões de yuans (o equivalente a US$ 55 bilhões) ao longo de três anos para avanço em computação de nuvem e infraestrutura de IA.
As ações do Alibaba listadas em Hong Kong recuam 21,2% no acumulado do ano. Já os American Depositary Receipts (ADRs) da Alibaba listados nos EUA acumulam baixa de 19,6% em 2026.