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Petros traça estratégia global para sua carteira (e um plano para virar a página de seu déficit histórico)

Por Redação 03 de junho de 2026 8 min de leitura


A Petros começa a preparar o terreno para ampliar algumas exposições de sua carteira a outras classes de ativos. E o investimento no exterior, que ainda é muito pequeno no portfólio da segunda maior entidade fechada de previdência complementar do País, é um dos objetivos.

Atualmente, o fundo de pensão dos funcionários da Petrobras, que administra mais de R$ 153 bilhões e reúne cerca de 133 mil participantes, não tem esse tipo de ativo nos seus planos maduros. Nos planos mais jovens, a alocação consolidada é inferior a 0,5%.

A decisão de não ter aumentado essa fatia antes acabou beneficiando a fundação, diante da valorização do real em 2025 e também em 2026. Mas, com o câmbio mais depreciado, a Petros se sente mais confortável para estudar uma ampliação da exposição internacional.

O investimento no exterior faz sentido por ser uma classe descorrelacionada dos ativos locais. Hoje, a Petros tem uma estratégia global via fundo do BTG Pactual e avalia também alternativas em renda fixa global. Antes de qualquer alocação, porém, os gestores precisam passar por um processo de diligência.

Para investir em fundos internacionais, a Petros exige, entre outros critérios, pelo menos 36 meses de histórico e US$ 5 bilhões sob gestão. A análise passa por aspectos reputacionais, qualitativos e quantitativos, incluindo track record e performance dos fundos.

“Não estamos em uma corrida de 100 metros. Estamos em uma maratona. Quando se escolhe um gestor, a gente está olhando o longo prazo”, afirma Gustavo Gazaneo, diretor de investimentos da Petros, no Wealth Point, programa do NeoFeed.

O mesmo cuidado vale para o crédito privado local, outra classe que está no radar da fundação. Depois da compressão dos spreads em papéis high grade no ano passado, a Petros passou a enxergar taxas mais interessantes no começo deste ano. A ideia é aumentar a exposição de forma pontual, tanto em fundos já presentes na carteira quanto em novos gestores.

No Brasil, a régua para um fundo ser elegível para investimentos também é alta. O gestor precisa ter pelo menos 36 meses de resultado, R$ 3 bilhões alocados no segmento escolhido e a estratégia deve ter, no mínimo, R$ 600 milhões.

“Gostamos de crédito privado. Quando vemos que o risco-retorno compensa, a gente aumenta um pouco, e estamos analisando isso agora”, afirma Gazaneo.

Nem todas as classes, porém, estão no radar. O private equity, que já fez parte da carteira da fundação no passado, não deve voltar no curto prazo. A política atual de investimentos não permite esse tipo de alocação.

Além disso, parte dos ativos antigos dessa classe estava nos planos maduros e foi liquidada para reforçar a estratégia de imunização.

A preferência, agora, é por classes mais líquidas nos planos jovens. Isso também ajuda a explicar a redução gradual da exposição a multimercados macro, que não tem entregado desempenho consistente nos últimos anos.

A Petros ainda mantém gestores em que confia, mas a classe tem perdido espaço, especialmente depois de um mês de março difícil para os mercados globais. Dentro do bloco de investimentos estruturados, a fundação avalia alternativas como long biased e equity hedge.

“A gente basicamente sempre trabalhou com multimercado, mas a performance não tem sido tão boa. A gente está olhando outras estratégias para compor o nosso portfólio dentro desse universo que a gente chama de estruturados”, diz o diretor de investimentos da Petros.

Em investimentos imobiliários, o movimento é diferente. Nos planos maduros, a Petros ainda tem imóveis físicos herdados da origem da fundação, criada na década de 1970.

A estratégia é vender esses ativos quando houver oportunidade e direcionar os recursos para a imunização. Nos planos jovens, a aposta está nos fundos imobiliários listados, com liquidez, pagamento mensal de dividendos e potencial de ganho patrimonial.

A fundação tem uma equipe interna dedicada à seleção desses fundos. Em 2025, a classe rendeu mais de 21% para a Petros e contribuiu para o resultado histórico da fundação.

“É uma classe que a gente gosta. A gente pretende aumentar com parcimônia e sempre olhando oportunidades de mercado”, afirma Gazaneo.

Na renda variável, o investimento é feito por meio de fundos internos e externos. Dentro de casa, são quatro estratégias: uma passiva, baseada em ETFs; uma de seleção de gestores; uma de Ibovespa ativo; e uma de retorno real.

O uso de ETFs tem ganhado importância como ferramenta tática. Quando a fundação resgata recursos de um fundo terceirizado de ações, por exemplo, pode usar ETFs para não sair da bolsa imediatamente. A liquidez permite entrar e sair rapidamente e capturar movimentos de curto prazo.

A fundação seguirá monitorando essas classes, mas o gatilho para uma mudança mais forte de alocação, porém, depende da queda do juro real. Para Gazaneo, uma Selic abaixo de dois dígitos e um juro real entre 5% e 5,5% poderiam tornar outras classes mais atrativas para as fundações.

“Se a taxa de juros convergir para baixo de dois dígitos, se a gente tiver também uma estrutura melhor na dívida pública, os institucionais vão correr um pouco mais de risco, vão para outras classes de ativos. Assim como nós”, afirma Gazaneo.

Déficit nos planos de benefício definido

Em 2025, o retorno consolidado dos investimentos da Petros superou R$ 15 bilhões, a maior marca da história da fundação. O desafio, agora, é sustentar esse desempenho em um ano ainda marcado por juros altos e volatilidade global e também equacionar o déficit dos planos maduros, de benefício definido.

Nos últimos anos a fundação avançou no equacionamento através da estratégia de imunização das carteiras, baseada principalmente no casamento entre ativos e passivos com títulos públicos federais indexados à inflação. Hoje, cerca de 90% dos planos maduros já estão imunizados.

A imunização dos planos antigos começou a ganhar força entre 2021 e 2022 e ajudou a fundação a entregar três anos consecutivos de resultados acima da meta, com menor volatilidade. A meta prevista na política de investimentos é chegar a algo entre 97% e 98% de imunização nos próximos cinco anos.

A melhora da rentabilidade, no entanto, ainda não significa uma reversão imediata do déficit dos planos antigos, cujo valor exato está sendo discutido em um fórum da entidade.

“Os nossos estudos ainda não apontam que a gente pode fazer uma reversão nesse déficit. Mas, se a gente mantiver consistentemente esse retorno, os estudos vão apontar o que a gente pode fazer em prol do participante”, diz o diretor de investimentos da Petros.

Já nos planos mais jovens, em que a renda na aposentadoria depende da rentabilidade e valor da contribuição, o objetivo é conseguir retornos consistentes acima do CDI.

O principal deles é o Petros-2, maior plano de contribuição variável do país, com mais de R$ 60 bilhões sob gestão e 53 mil participantes. Em 2025, o plano teve rentabilidade de 15,25%, o maior resultado desde sua criação, em 2007.

Neste plano, a renda fixa continua relevante e respondendo por cerca de 78% da carteira. Já a renda variável representa quase 12%. Outros 7% estão em investimentos estruturados, basicamente multimercados, menos de 2% em imobiliário (fundos imobiliários e imóveis) e 0,2% em investimentos no exterior.

A concentração em renda fixa mostra que a cautela segue como palavra de ordem para 2026. Antes do aumento da tensão geopolítica, a Petros esperava um ambiente mais favorável para ampliar o apetite a risco, com queda mais acentuada dos juros no Brasil e cortes também nos Estados Unidos. Esse cenário mudou.

Com petróleo acima de US$ 100, inflação global mais pressionada e juros americanos mais resilientes, a fundação passou a revisar suas projeções. A avaliação é que a renda fixa brasileira ainda oferece uma relação risco-retorno atrativa, especialmente nas NTN-Bs.

“Acreditamos que esse ainda seja um ano de renda fixa, que ainda tem muita oportunidade, com taxas altas. Além de estarmos em um momento de muita volatilidade e incerteza para correr riscos”, diz Gazaneo.



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Redação

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